sexta-feira, julho 06, 2018

Pará investiga três suspeitas de sarampo

Três casos suspeitos de sarampo, dois no município de Juruti e um no município de Terra Santa, na região oeste do Estado, estão sob investigação no Pará, aguardando resultado de exames laboratoriais. 

Duas outras notificações, no município de Novo Progresso, segundo a coordenadora estadual de imunização, Jaíra Ataíde, foram descartados pelo Laboratório Central do Estado. 

A ocorrência crescente de casos da doença, em Roraima, Amazonas, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, tem preocupado as autoridades sanitárias do País. Em fevereiro deste ano, o Ministério da Saúde foi notificado sobre um caso suspeito em Boa Vista (RR), de uma criança venezuelana, de um ano, não vacinada. O estado do Amazonas também tem apresentado surto da doença. Juntos, os dois estados já contabilizam cerca de 500 casos confirmados. 
De acordo com a Secretaria de Saúde do Pará (Sespa), os últimos casos de sarampo no Estado foram três registros, feitos em 2010, todos importados. Com as suspeitas atuais, medidas de bloqueio vacinal estão sendo tomadas. “Não esperamos os resultados dos exames, que levam, em média, um mês”, afirmou Jaíra. 
De acordo com a coordenadora, equipes das secretarias municipais de Saúde são deslocadas para as áreas em que há casos suspeitos e é feita orientação e vacinação dentro do grupo etário. No caso do sarampo, todas as crianças de um a quatro anos que não tenham sido vacinadas recebem as duas doses da vacina que compõem o calendário anual: a primeira aos 12 meses, tríplice viral, que previne contra sarampo, caxumba e rubéola; e a segunda aos 15 meses, a tetraviral, contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela. Na vacinação de bloqueio, pessoas com até 29 anos que não receberam as duas doses também são imunizadas. 
O caso suspeito em Terra Santa é de um jovem de 18 anos, que mora em Manaus, mas tinha ido para a casa da sua mãe no município paraense, restabelecer-se de uma cirurgia. Ele teve febre, manchas avermelhadas na pele, tosse, coriza, conjuntivite e dor nas articulações, sem história de viagem para outro município ou estado, e sem contato com caso suspeito ou confirmado da doença. Já os casos suspeitos de Juriti são de uma criança de nove meses e do pai dela, de 20 anos.
Apesar de não haver caso confirmado no Estado, Jaíra disse que os 144 municípios devem empreender buscas ativas de modo a manter a cobertura de 95% da meta vacinal preconizada pelo Programa Nacional de Imunização, que vem caindo nos últimos três anos em todo o País. Ela alertou ainda que a ausência de registros de algumas doenças levam muitas pessoas a acreditar que elas não existem mais.  
Devido à baixa cobertura vacinal, há 17 municípios em situação de alerta para a poliomielite, acrescentou: Curralinho, Breves, Afuá, Santa Bárbara, Eldorado do Carajás, Pau D’Arco, Portel, Bagre, Curionópolis, Viseu, São Geraldo do Araguaia, Ananindeua, Marituba, Jacareacanga, Melgaço, Porto de Moz e Chaves. “Manter o cartão de vacinação em dia é a principal atitude que a população deve tomar para evitar a reintrodução de doenças imunopreveníveis no Pará, como o sarampo”, pontuou. 
Em agosto, de 6 a 31, será realizada uma Campanha Nacional de Seguimento da Poliomielite e do Sarampo, destinada a crianças de uma a quatro de anos de idade, independentemente de já terem ou não sido vacinadas contra essas doenças. “O objetivo é ampliar a cobertura vacinal dessas doenças, que está abaixo de 95% em muitos municípios brasileiros”, ressaltou Jaíra Ataíde.