quarta-feira, fevereiro 07, 2018

MPF quer ação urgente de órgãos ambientais em garimpo ilegal no Pará, na terra Munduruku

O Ministério Público Federal (MPF) quer que o Ibama e o ICMBio realizem, com urgência, fiscalizações periódicas em um garimpo de ouro ilegal na terra indígena Mundukuru, na região sudoeste do Pará. Na última quinta-feira (1) o órgão encaminhou um pedido à Justiça Federal em que pede que as ações comecem no prazo máximo de 30 dias.

Caso a decisão judicial não seja cumprida, o MPF quer que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) sejam multados em R$ 10 mil por dia de desobediência à Justiça.

Denúncias recebidas pelo MPF e comprovadas pela instituição em vistorias na terra indígena apontam uma série de danos socioambientais provocados pela intensa atividade de garimpos ilegais.

Entre os impactos estão a redução da pesca, a contaminação por mercúrio e outros problemas à saúde, aos costumes e à organização social dos Munduruku, como o consumo de alimentos industrializados, de bebidas alcoólicas e drogas, e a prostituição.

Segundo o procurador da República Paulo de Tarso Moreira de Oliveira, apesar de alertados pelo MPF sobre a situação, os órgãos de fiscalização ambiental não têm tomado providências.

Em outubro do ano passado, em reunião na sede da Justiça Estadual em Itaituba, representantes do Ibama e do ICMBio chegaram a comprometer-se com o MPF e com os indígenas a apresentar um plano de fiscalizações, o que nunca ocorreu. Ofício e recomendação enviados pelo MPF para cobrar a apresentação do documento também não surtiram efeito.

Enquanto isso, "rios têm seus percursos alterados, vegetações são extintas e animais fogem ou morrem por causa da contaminação causada - assim como o ecossistema dos locais ficam com danos irreparáveis em definitivo", diz trecho da ação judicial.

De acordo com informações obtidas por lideranças indígenas, os garimpeiros ilegais estão abrindo uma estrada para facilitar o acesso à terra Munduruku, o que deve intensificar a atividade ilegal.

Ainda segundo essas denúncias, a extração ilegal de minério está sendo feita até por funcionários públicos, que também tentam convencer os indígenas a liberarem áreas para novos garimpos.

No final de 2017, após a Fundação Nacional do Índio (Funai) terem dado um ultimato para a saída dos garimpeiros, os criminosos teriam dito a representantes dos Munduruku que têm a pretensão de resistir a tentativas de expulsão e de enfrentar até mesmo a Polícia Federal, se necessário.

O MPF destaca que as fiscalizações são urgentes no leito do rio das Tropas, nas proximidades das aldeias Posto de Vigilância, Boca Igarapé Preto, Nova Esperança, Caroçal Rio das Tropas, Boca do Caroçal, Lajinha Rio das Tropas, Castanheira, São João, Centrinho Mangueirinha, Barro Vermelho, Bananal Rio das Tropas, Akotek, Vila Nova, Karo Exebu e Boro Bimuybu. As informações são do MPF.

Fonte: Ascom/MPF