terça-feira, fevereiro 13, 2018

Carnaval no Rio é marcado por um arrastão de violência

Cidade é tomada por assaltos, governador e prefeito viajam e PM pede a foliões que evitem selfies

RIO - Uma onda de violência em meio ao carnaval de rua, que teve três arrastões na Praia de Ipanema em menos de 24 horas, pôs em xeque o planejamento da segurança para a folia carioca, também marcada pela falta de ordenamento e por um colapso nos transportes públicos. Os problemas ocorrem enquanto o prefeito Marcelo Crivella faz uma viagem pela Europa, e o governador Luiz Fernando Pezão descansa em Piraí, sua cidade natal, no interior.

Coube ao comandante-geral da PM, coronel Wolney Dias, a tarefa de tomar uma medida. Sob o argumento de que “o cobertor é curto”, ele anunciou ontem um remanejamento de parte do efetivo de 17 mil homens mobilizados para a festa que, segundo a Riotur, reúne este ano 6,5 milhões de pessoas. Mas uma das soluções encontradas pelo oficial foi deslocar para a orla da Zona Sul e o Centro equipes do Batalhão de Choque que reforçam o policiamento na Rocinha, alvo há cinco meses de operações e de uma disputa do tráfico.

— Estamos com poucas viaturas, o que não dá visibilidade ao nosso trabalho. Veja, por exemplo, como foi o Bloco da Favorita (que, no sábado, levou quase 700 mil pessoas à Praia de Copacabana). Do alto, grupos de policiais, misturados à multidão, pareciam pontinhos — lamentou Wolney.

Horas antes de o comandante da PM dar a entrevista, o porta-voz da corporação, major Ivan Blaz, disse à Globonews que órgãos de ações sociais têm que atuar mais nas ruas e recomendou aos foliões que “não ostentem joias” e evitem fazer selfies com celulares.


— Pedir isso é lamentável, mas, infelizmente, é a realidade que vivemos — justificou Blaz. (O Globo)