quinta-feira, agosto 03, 2017

De Pelé a Temer, passou da hora de se aprender a votar

Exibindo 20170803_162954.jpgJota Parente - O que eu vi e ouvi de gente defendendo a saída do presidente Temer, foi uma grandeza. A maioria não sabia porque, mas, queria porque queria que o Congresso autorizasse a abertura de processo, o que costuma represente quase sempre o fim de linha.


Michel Temer venceu e venceu bem, saindo fortalecido dessa disputa, na qual o maior interessado era o Partido dos Trabalhadores, que não engole o presidente, de jeito nenhum, porque todo mundo sabe que ele ajudou a derrubar um governo do qual fazia parte, o qual estava caindo de poder.


Temer não é nenhum santo. É altamente impopular, só rivalizando com José Sarney nos seus piores momentos durante seu governo. Mas, numa hora como essa a razão precisa falar mais alto, pois o país tem que estar acima de interesses partidários ou pessoais, que mais uma vez ditaram as regras para uma penca de parlamentares, muitos dos quais vão pedir arrego depois ao presidente.


Não se troca de presidente como se troca de roupa. Popular, ou impopular, Temer está conseguindo dar algum rumo na economia deste país. E tem encarado temas espinhosos como as reformas, coisa de que Sarney, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma fugiam como o Diabo foge da cruz. Não citei Color, porque sua passagem foi bem mais curta.


Como cidadão, caminhando para 67 anos bem vividos, tendo crescido em períodos de turbulência política nos anos de Jânio Quadros e João Goulart, e logo depois, por longos 21 anos, na ditadura militar, senti alívio quando tive certeza, muitos dias antes da votação, que não haveria mudança. Alívio porque sei que país nenhum suporta ficar trocando de presidente seguidamente, no caso, de ano em ano. Além do que, o Brasil voltaria a ser achincalhado lá fora, e aqui dentre poderia sobrar instabilidade política e econômica. Então, que Temer fique até o final do mandato, e que faça o que precisa ser feito.


Quanto a nós, eleitores, vamos criar vergonha na cara para ver se ano que vem escolhemos melhor em quem votar, para evitar que alguns meses depois da posse não comecemos, de novo, campanhas do fora fulano, fora sicrano, fora beltrano.


Nós, brasileiros, que provavelmente somos campeões mundiais em ficar transferindo para os outros as nossas responsabilidades, parece que ainda vamos demorar um bocado para votar direito.


Os mais velhos como eu, lembram que ficamos todos muito zangados quando o rei do futebol, Pelé, lá pelos idos dos anos 1970, disse que brasileiro não sabe votar.


É verdade que o momento em que ele falou isso não foi dos melhores, pois, respondendo a uma pergunta relativa à ditadura, para se sair pela tangente, sapecou essa frase que lhe rendeu muitas críticas merecidas. Finalizo externando uma dúvida cruel: ou, por linhas tortas, Pelé estava certo, ou a sociedade brasileira, faz muito tempo, está completamente corrompida, e tanto faz votar em José como em Cazuza, que vai dar no mesmo; só serão trocadas as figuras, mas, os vícios continuarão os mesmos.