quinta-feira, julho 06, 2017

Noruega, um país que não tem moral pra dar lição de preservação ambiental para ninguém

A Noruega destruiu 97% de suas florestas, e agora quer ensinar a preservar

Imagem relacionadaO governo da Noruega, responsável por duras críticas a políticas ambientais do Brasil há duas semanas, é o principal acionista da mineradora Hydro, alvo de denúncias do Ministério Público Federal MPF do Pará e de quase 2 mil processos judiciais por contaminação de rios e comunidades de Barcarena no Pará, município localizado em uma das regiões mais poluídas da floresta amazônica. As informações são do G1.

Além de enfrentar ações na justiça, a empresa até hoje não pagou multas estipuladas pelo Ibama em 17 milhões de reais, após um transbordamento de Lama tóxica em rios por uma de suas subsidiárias na região Amazônica, em 2009.

Segundo o Ibama, o vazamento colocou a população local em risco e gerou mortandade de peixes e Destruição significativa da biodiversidade. Dono de 34,3% das ações da mega produtora mundial de alumínio, o governo da Noruega ganhou manchetes em todo o mundo há duas semanas, após criticar publicamente o aumento do desmatamento na Amazônia.

Constrangimento na primeira visita oficial do presidente Michel Temer a Noruega, o país anunciou o corte estimado em 200 milhões de reais no recurso que repassa ao fundo Amazônia, destinado à preservação ambiental.

Dados do laboratório de química analítica e ambiental da Universidade Federal do Pará – UFPA, indicaram que um em cada cinco moradores da região onde estão as empresas norueguesas está contaminado por chumbo, com uma concentração de elemento químico do corpo sete vezes maior do que a média mundial.

Os tóxicos do Chumbo no organismo provocam doenças nos sistemas nervoso e respiratório, problemas no coração e efeitos extremamente preocupantes no desenvolvimento cognitivo de crianças, segundo o MPF.

Como acionista em várias empresas, o estado norueguês tem expectativas claras em relação à responsabilidade social corporativa das empresas, incluindo questões ambientais, afirmou o Ministério do Comércio, indústria e pesca do país a reportagem. O Ministério não comentou diretamente as multas do Ibama que alega que a empresa dificultou ação do poder público no exercício de fiscalização de infrações ambientais na área da empresa.

O governo da Noruega disse que a responsabilidade social é parte central do diálogo entre o ministério e a empresa e afirmou que foi informado, assim como os demais acionistas, das consequências do derramamento de 2009 pelos relatórios anuais da hidro.

Procurada, a empresa negou responsabilidade sobre os índices de contaminação registrados na cidade, disse que investe em soluções sustentáveis e no diálogo com comunidades e informou que o vazamento de rejeitos químicos em 2009 foi fruto de chuvas intensas.

A Embaixada da Noruega em Brasília não quis comentar o caso. A contaminação da rede de abastecimento de água que atende apenas 40% da população local, os rios e Poços Artesianos são a principal fonte de água na região da pequena Barcarena, que viu sua população crescer em ritmos três vezes mais rápido que o do resto do país nos últimos 40 anos, graças aos empregos gerados pelas mineradoras.

Com problemas em igarapés que deságuam em rios como o Acaraú, Tauá, Poranga e Barcarena, o município experimenta crescimento desordenado desde que foi se tornou um importante exportador de commodities minerais como bauxita, alumínio e caulim, vegetais soja e animais (gado vivo).

À BBC Brasil, a Hydro questionou as pesquisas utilizadas pela Procuradoria da República, afirmando que os derramamentos da subsidiária Alunorte não representam uma ameaça significativas nem para a vida humana nem aquática.

A empresa também não comentou as multas aplicadas pelo Ibama, mas disse que busca diálogo transparente com todos os envolvidos no processo da mineração, e possui rigorosos sistemas de monitoramento de água, solo e ar e que garante uma conduta responsável com a sociedade e altamente importante em todas as fases da operação.


Essa é uma empresa, grande multinacional de um país que quer dar lição de moral e ensinar aos outros a como preservar o seu meio ambiente, depois de ter destruído 97% de todas as suas florestas.