sábado, julho 01, 2017

Como FOI difícil da vida dos vereadores de Itaituba no primeiro semestre

      Artigo de Jota Parente no Jornal do Comércio, na edição 231, que está circulando desde a tarde de hoje    

      Não tem sido fácil a vida dos vereadores de Itaituba nesta 18ª legislatura, no primeiro semestre de 2017. Tudo em função, ainda, da aprovação bastante expressiva do governo do prefeito Valmir Climaco, que vem mostrando serviço, talvez, até mais do que os itaitubenses esperavam para um começo de governo, quando é comum o novo mandatário usar a famosa desculpa de que é preciso arrumar a casa para começar a fazer alguma coisa.
     A falta de debates, essencial e comum na maioria das casas legislativas, fez com que a temperatura média não passasse de morna. Como consequência da ausência do contraditório, na grande maioria das sessões, as cadeiras destinadas ao público ficaram quase todas vazias.
     O povo adora um debate, e muita gente que tem tempo para assistir a uma sessão, afastou-se pela falta de discussão de assuntos relevantes, mas, principalmente porque não houve nenhum esboço de oposição ao governo de Valmir, que pelo comportamento dos vereadores, parece não ter defeito algum.
     A situação dos vereadores, até o momento, é a seguinte: de um lado, o presidente João Bastos Rodrigues não consegue cumprir os compromissos assumidos com seus colegas de parlamento, que unanimemente apoiaram sua eleição para continuar no comando da Casa de Leis; de outro lado, o prefeito esquivou-se com sucesso das investida dos edis, atendendo requerimento de um aqui, de outro ali, mas, evitando inchar a folha de pagamento com um monte de indicados, e isso desagrada muito alguns deles, ou a maioria.
     Destacou-se mais nessa primeira etapa da 18ª legislatura, quem soube driblar essas dificuldades. Foi o caso de Peninha, o mais experiente, que conseguiu criar alguns fatos que ganharam destaque na mídia, como a audiência pública para discutir as medidas provisórias 756 e 758, que lotou a Câmara porque o assunto despertou grande interesse em toda a região, e até em nível nacional.
   Diego Mota, um dos diversos neófitos, conseguiu boa visibilidade. Fala bem, fez alguns discursos abordando questões de interesse e mostrou-se muito ativo. Além disso, procurou manter uma identificação sempre muito próxima com o bairro Vitória Régia, que considera como reduto político.
   Davi Salomão também não passou em branco, mas, o desempenho de seu mandato está aquém das expectativas em geral, pois a população esperava bem mais dele. Em alguns discursos fez colocações importantes, todavia, aguardava-se um vereador mais combativo, mais aguerrido.
     Teoricamente, fazer parte da Mesa Diretora da Câmara, parece ser uma coisa muito boa pela visibilidade que o vereador pode ter. E os que tem mais chances são o presidente e o primeiro secretário. Esse último, atualmente ocupado pelo vereador Júnior Pires, da nova safra, não cumpriu essa expectativa, posto que Júnior ficou a maior parte do tempo lendo ofícios e requerimentos, em detrimento de uma atuação parlamentar mais agressiva.
     Vereadores experientes, como Cebola, Maria Pretinha e Dadinho tem seu jeito próprio de fazer política, e por isso continuam mantendo seus cargos, renovando-os eleição após eleição. Já Wescley Tomaz, no segundo mandato, andou muito ausente das sessões. E como diz o ditado, quem não é visto, não é lembrado.
     Eu conversei com alguns vereadores sobre essa apatia que assola o legislativo por falta de oposição. Mais de um deles me disse que acha que deve pintar um ou mais edil para fazer oposição ao prefeito Valmir Climaco, no segundo semestre. Confesso que ficarei surpreso se isso vier acontecer, pelo menos, logo no começo do segundo período legislativo deste ano, pois não vejo ânimo de ninguém para bater de frente com o prefeito.
     Se não há oposição, não é por falta de descontentamento, porque
tem vereador descontente até entre quem foi eleito na coligação que elegeu Valmir. Como disse antes, o que tem inibido o surgimento de oposicionistas na Câmara é o vento a favor do governo, graças ao apoio que o prefeito Valmir Climaco tem, de boa parte da população, por causa da realização de obras pela prefeitura.

     Nélson Rodrigues já dizia, que toda unanimidade é burra. No caso da falta de oposição ao governo, esse silêncio não é bom, porque fica parecendo que não existem erros na administração. Em outras palavras, os vereadores, que foram eleitos tendo como principal missão fiscalizar o Executivo, passaram longe de fazer isso até agora.