quinta-feira, abril 20, 2017

Perfil do Empresário - João de Deus Quaresma

     João de Deus Quaresma de Sá, ou apenas Quaresma, nasceu no Piauí, na cidade de Esperantina, no dia 23 de junho de 1962. Filho de agricultores, trabalhou na roça com os pais até os 17 anos. Só estudou até a primeira série, pois desde garoto começou a trabalhar com seu pai plantando e colhendo. Quando seu pai morreu, largou tudo e foi cuidar da vida sozinho, até que Itaituba entrou em sua vida. Ele contou sua história à coluna Perfil do Empresário.
JC – O começo foi na roça. Você saiu de lá de Esperantina porque considerava aquele trabalho muito pesado?
Quaresma – Exatamente por isso. Eu queria encontrar algo melhor, mais leve para fazer, porque na roça era muito pesado, e as condições no Piauí eram muito ruins, sem certeza de que ia haver inverno. Saí de lá para o Maranhã e de lá para Itaituba.
JC - Quanto tempo você ficou no Maranhão, o que fez lá e como se deu a vinda para Itaituba?
Quaresma – Eu fique em Imperatriz, onde era lotador de carros. Eu lotava caminhonetes dos outros com pessoas que queriam ir para Serra Pelada. Isso foi nos anos de 1989 a 1992. Aí apareceu uma oportunidade de comprar um carro totalmente fiado, para eu vir para Itaituba. No Maranhão, a gente trabalhava o mês todo, sem conseguir juntar o dinheiro de pagar uma parcela. Um amigo meu me disse que se eu viesse para cá, eu conseguiria pagar o meu próprio carro.
            Na primeira viagem que eu fiz foi para o km 1027, com o que apurei, juntei mais do que o valor da primeira parcela do carro. Pelo começo eu vi que aqui eu teria futuro. Já se passou uns bons dias de lá até agora, e hoje eu já sou até Cidadão Itaitubense.
JC – Você teve loja de confecções com um movimento grande, sem abandonar de vez o transporte. Foi boa essa incursão nesse ramo?
Quaresma – Foi bom, sim. Ganhei dinheiro, mas, acontece, que quando a gente mexe com dois ramos, corre o risco de ganhar num e perder noutro. Por um tempo eu fiquei muito focado nas lojas. Comecei a tirar dinheiro para empregar no setor de transporte, o que fez com que houvesse queda no setor de confecções. Então, eu resolvi optar somente pela paixão maior, que é o transporte. Está nas minhas veias.
JC – Tempos bons para ganhar dinheiro, mas, complicados para trabalhar, quando você chegou aqui...
Quaresma – Não era fácil, não. A gente gastava de quatro a cinco dias para ir até o Alvorada, ou 1027. Não havia quase nada na BR 163, era só atoleiro. Hoje o pessoal reclama de atoleiro. Precisavam ver era naquela época. Aquilo, sim, era atoleiro para ninguém botar defeito. Nos momentos mais complicados, a gente só passava quando o Wirland Freire ia com a frota dele.
            Havia o problema da violência, mas eu sempre me resguardei. Evitava frequentar bares ou lugares onde era mais comum acontecer confusão. De noite eu ficava em casa; nunca fui homem de andar bebendo. Algumas vezes eu estava num lugar e de repente começava um tiroteio. Só restava correr e se esconder até passar o perigo.
JC – Como é, tocar uma empresa de transporte em uma região como esta?
Quaresma – Olha, é preciso saber trabalhar com ônibus. Tem viagem que sai sem nenhum passageiro. Ficaram para trás aqueles tempos em que andava tudo lotado. O comércio mudou muito. Aumentou demais a concorrência. Temos uma estrada que a gente pode dizer que é boa, em comparação com o passado, mas, não tem passageiro. No inverno é ainda mais complicado. No inverno deste ano, a frota tem ficado boa parte do tempo parada, porque tem chovido demais e complica a situação das estradas. A gente ganha no verão, para comer no inverno. Ainda bem que o verão é mais comprido.
JC – Diante desse momento de crise, a Quaresma Turismo vai cuidar da frota que tem, ou há projeto para novos investimentos?
Quaresma – Nesse ramo de ônibus a gente não pode parar. É preciso comprar novos carros. Agora mesmo nós compramos dois novos ônibus que deverão entrar na linha no verão, renovando a frota que faz os trechos de Itaituba para Santarém, Novo Progresso e Teresina. Não pode ficar parado.
JC – Itaituba é o seu lugar?
Quaresma – Eu me considero daqui. Eu gosto de Itaituba. Já tenho até um lugarzinho comprado do km 6. Não tenho a menor intenção de sair daqui. Itaituba ainda vai melhorar muito. Tem muita coisa boa para acontecer dentro de poucos anos. 

     Na edição 229 do Jornal do Comércio