quinta-feira, abril 20, 2017

Ivan D'Almeida: "o prefeito agora é o Valmir, e eu torço para que ele faça um bom trabalho"


Na edição 229 do Jornal do Comércio

Passada a eleição de outubro de 2016, com a vitória de Valmir Climaco, a boa performance de Ivan D’Almeida e a derrota fragorosa da ex-prefeita Eliene Nunes, ficou no ar a expectativa de qual seria o comportamento do segundo colocado no pleito, com mais de 15 mil votos, votação que lhe alçou, pelo menos hipoteticamente, ao patamar de uma nova liderança política em Itaituba. A pergunta que ficou, e de certa forma continua no ar é: como vai se comportar Ivan, durante os quatro anos de mandato de Valmir.

            Ivan D’Almeida recebeu a reportagem do Jornal do Comércio em seu escritório, para uma conversa descontraída a respeito de seu futuro político, o futuro do grupo que o apoiou, eleição para deputado, além de outros pontos. Será Ivan vai procurar manter o grupo, ou parte dele, ou ficará observando o desenrolar dos fatos? Ele respondeu a todas as perguntas, com a desenvoltura de quem aprendeu muito na campanha.
            “Eu entrei na política sabendo que seria muito difícil sair do nada e, de cara ganhar uma eleição. Mas, estava determinado a fazer alguma coisa para tentar melhorar essa cidade da qual a gente tanto gosta. Eu não tinha grupo. Fiquei satisfeito com o resultado obtido. Eu não contava nem com 10% de chance de ganhar, e para quem saiu do zero, e chegou a 30% dos votos, eu achei que foi muito positivo. Foi uma experiência que me deu a oportunidade de conhecer os problemas do nosso povo”, falou o ex-candidato.
            Faltou apoio da cúpula do PSDB, da capital, disse Ivan. “Na verdade, nós não tivemos apoio do pessoal do PSDB da capital. E não fomos só nós de Itaituba, pois eu estive conversando com políticos do nosso partido, de outros municípios, que se queixaram do mesmo problema. Mesmo estando no partido do governador, não tivemos nenhum cargo apontado por nós, para algum órgão, nem nada.
Não sei se é porque o governador está caminhando para o final do seu mandato, e ele não vai poder ser candidato à reeleição, mas, a verdade tem que ser dita: ele não ligou muito para nós. Mas, eu não fui enganado, porque quando eu cheguei para me filiar para ser candidato, o governador me disse que eu seria filiado, - inclusive ele mesmo abonou minha ficha-, mas, pediu paciência, dizendo que iria ajudar mais na frente. Não podia na ocasião, porque precisava governar e para ter governabilidade, precisava do apoio de deputados de outros partidos, com os quais ele não podia se indispor. E de fato não veio nada de Belém.
            Apesar disso, fizemos o nosso trabalho, conseguindo eleger quatro vereadores e faltou muito pouco para fazer mais. Espero que quem está no comando consiga fazer o nosso município se desenvolver. Porém se isso não acontecer, nós continuamos aqui dispostos a dar a nossa contribuição, porque eu tenho certeza de que eu tenho condições de fazer melhor do que tem sido feito até agora”.
            O Jornal do Comércio perguntou ao ex-candidato, qual é o seu posicionamento quanto ao atual governo municipal. “Nós estamos de lados opostos, mas, eu sempre tive uma boa convivência com todo mundo, inclusive, com o nosso prefeito. Nós trabalhamos juntos desde muito novos e nunca tivemos problemas. Sempre houve respeito dos dois lados. Se eu algumas vezes contestei é porque a gente vê as coisas de forma diferente. Entendo que é preciso trabalhar para facilitar a vida das pessoas. Por exemplo: esse negócio do cidadão chegar a um órgão para tirar uma licença, sendo mandado de um lado para outro, até que alguém diz que é preciso dar tanto para conseguir, eu não concordo. Eu não vejo isso com bons olhos, não vejo como o município possa se desenvolver com esse tipo de comportamento.
Para mim, a pessoa deve querer ser líder para ajudar os seus liderados. Foi por isso que na campanha eu critiquei muita coisa. Entretanto, o prefeito agora é o Valmir, e eu torço para que ele faça um bom trabalho, porque o nosso município tem que estar acima de qualquer coisa, ou de diferenças políticas.
            Eu não digo que eu não vou fazer oposição ao governo municipal. Não farei, se o prefeito fizer as coisas de maneira correta. Do contrário, eu estou disposto a fazer oposição ao governo, e se achar alguma coisa errada, eu vou apontar.
Na eleição de outubro passado, pessoas do nosso lado queriam que a gente recorresse à Justiça sobre coisas que pareciam erradas durante a eleição, mas, eu me recusei a entrar após concluída a apuração, não foi nem somente por uma questão de respeito ao candidato vencedor, mas, ao voto que o cidadão deu para ele. Se a maioria achou que queria assim, eu respeito. É assim que eu sou”.
            Deputado estadual – Logo depois da eleição surgiram comentários de que o grupo liderado por Ivan D’Almeida lançaria candidato próprio a deputado estadual. Foram citados nomes como de sua filha, Elayne D’Almeida, que coordenou a campanha, e Paulo Gilson, que foi companheiro de chapa. Ivan diz que isso ainda está em aberto.
“Olha, depois da eleição, a gente foi contatado até mesmo por candidatos de fora, pedindo antecipadamente o nosso apoio. O pessoal de Belém acha que a gente deva ter um candidato próprio, e eu acredito que venhamos a ter um candidato nosso, do município. Hoje, temos outros grupos com interesse de lançar candidatos, e nós temos que aguardar o momento certo para decidir. De julho em diante a gente deve começar a ter uma definição.
            O nome do meu candidato a vice, Paulo Gilson, chegou a ser falado como provável candidato, da mesma forma que o nome da minha filha Elayne, que coordenou nossa campanha. Como disse antes, ainda não temos definição sobre isso, mesmo porque ainda é muito cedo.
Faço uma observação aqui: nosso foco principal é na disputa pelo cargo de prefeito, e mal saímos de uma eleição para entrar na outra. Uma coisa é certa: não vamos entrar numa disputa se sentirmos que não temos condição alguma de eleger alguém. E quanto a minha filha, eu acredito que possa ser outra pessoa que venha a ser lançada, não ela.
            A próxima eleição – Nós vamos nos preparar, porque eu acredito que vamos participar da próxima eleição para prefeito do município. Mas, isso não quer dizer que uma hora a gente que que está em lados opostos, amanhã, não possa estar junto. Não vejo e não faço política com rancor, com ódio, porque isso não constrói nada.

Eu não posso achar que uma pessoa, somente porque não vota em mim é meu inimigo! Eu também sou eleitor, e o fato de não ter votado em determinado candidato, não significa que eu não goste dele. Podemos ter pontos de vistas diferentes, mantendo o respeito ao pensamento de cada um. Jamais deixarei de dar apoio a um político, só porque teve mais votos do que eu. Se for bom para o município, eu apoiarei, sim. Itaituba tem que estar acima disso. É assim que eu penso, é assim que eu vejo a política”, finalizou Ivan.