sábado, abril 08, 2017

Abi: ‘é mais difícil publicar algumas matérias hoje do que na ditadura’

Foto: Bocão News
Censura vem do 
Judiciário e do poder 

econômico, diz
Rômulo Faro/Bahia 247 - Em palestra pelo Dia do Jornalista em Salvador, nesta sexta-feira (7), o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Domingos Meirelles, comentou fatos recentes do que considera censura, como o episódio em que um juiz quis proibir uma publicação do jornal Folha de São Paulo sobre um hacker que estaria chantageando o casal Michel e Marcela Temer, após clonar seu celular.

"Hoje nós temos muito mais dificuldade de publicar certas matérias do que no período da ditadura militar. No governo de Figueiredo, por exemplo, a gente não tinha mais censura. Hoje a censura que o jornalista sofre, ou do Judiciário ou do poder econômico, é uma coisa absurda. É incompatível com a realidade em que a gente vive. Vivemos num estado democrático de direito. Aí você tem o Judiciário, para minha surpresa, tomando esse tipo de atitude, de querer proibir publicações em jornais, inclusive contrariando entendimentos do Supremo Tribunal Federal", disse Meirelles.
O jornalista também falou sobre política, e apostou que Michel Temer não conseguirá aprovar sua proposta de reforma da Previdência no Congresso. "Essa questão do tempo para o trabalhador ter sua aposentadoria integral com mais de 70 anos de idade é uma coisa de doido".
Para Domingos Meirelles, a terceirização irrestrita nas empresas foi "um tiro no pé" do peemedebista.
"A terceirização é uma grande maluquice, e também tem a proposta de reforma da Previdência Social. Esse eu acho que não passa. Os grandes interesses econômicos, o patronato tira partido de uma fragilidade do governo para tentar se beneficiar disso. Ele diz: 'olha, eu preciso terceirizar, porque na medida em que a gente tem um trabalhador caro, que custa mais caro que um trabalhador chinês... Mas um trabalhador na China não tem nenhum direito. Nem férias eles tiram, trabalham em ritmo de máquina. E é uma mão de obra barata. Eu acho que o que eles querem é desconstruir um pouco a velha CLT. 
Eu acho que podia se mexer nela, mas sem implodi-la. Então, o governo encontrou uma formula híbrida. Quem quiser ficar na CLT, fica. Passa a ser opcional. Eu acho que isso ainda está muito confuso. Eu acho que as fronteiras ainda não estão muito bem demarcadas. Isso é uma maluquice. Uma coisa que preocupa é o período do trabalho temporário, que passou de três meses para até nove meses. Vai haver uma rotatividade muito grande", disse Meirelles.