quinta-feira, janeiro 12, 2017

Perfil do Empresário

            José Luís Conceição, mais conhecido como Português, é um empresário muito discreto, de 42 anos, que está escrevendo uma bonita história no município de Itaituba. Nasceu na África do Sul, no dia 31 de agosto de 1974. Recentemente ele se tornou bastante conhecido, até nacionalmente, por conta de uma ação social que resultou na doação de uma casa para os garotos Hugo e Léo, com transmissão em rede nacional no programa Celso Portiolli, SBT. Português é destaque no Perfil do Empresário.

JC - Como aconteceu de o senhor nascer na África do Sul?

JLC – Sou um português que de fato nasceu fora do seu país. Meus pais foram para a África do Sul em busca de uma vida melhor, e eu nasci lá, onde vivi até meus treze anos de idade, quando meus pais decidiram retornar para Portugal. Lá eu continuei meus estudos, até chegar ao curso superior, tendo me graduado em Economia, com pós-graduação e Doutorado em Economia de Empresas.

JC - Em Portugal, em que atividades trabalhou?

JLC – Trabalhei em bancos, trabalhei em uma empresa na área da construção civil, onde nasceu minha paixão por essa área, e antes de vir para o Brasil eu era diretor de uma empresa do setor da construção civil, que tinha aproximadamente seis mil funcionários.

JC - Quando se deu sua vinda para o Brasil?

JLC – Eu vim para o Brasil no dia 1º de dezembro de 2005. Vim direto para Itaituba para trabalhar em uma empresa portuguesa sediada em Miritituba, onde fiquei até 2012, ano em que eu iniciei essa nova atividade que é a JJP Construtora. Somos dois sócios, tendo eu entrado com a metade e o outro sócio, que é uma empresa portuguesa, de um amigo de longas datas, que entrou com metade do capital.

JC - Qual a razão de ter deixado Portugal e vir para o Brasil?

JLC – Eu costume dizer que os lugares bons são aqueles onde tudo está por fazer. A Europa vive uma crise de ter que inventar o que fazer, porque está tudo feito e só é preciso manter. E eu vi em Itaituba uma oportunidade, precisamente por isso, porque tem muito por fazer. O município vive uma fase embrionária de desenvolvimento e precisa de muita coisa. O clima foi outro atrativo. Eu gosto muito do clima.

JC - O senhor já tem uma grande identificação com Itaituba ...

JLC – Sim, estou aqui há onze ano, e já me identifico bastante, conhecendo os pontos fortes e os pontos fracos da cidade, sabendo do que ela precisa.

JC - A JJP começou a ficar conhecida a partir de construções no Buriti?

JLC - É verdade. Tudo começou no loteamento Buriti. Inicialmente compramos alguns terrenos, porque achamos que o empreendimento tinha tudo para dar certo. No começo houve um pouco de desconfiança, porque as pessoas comentavam que era muito longe, mas, aos poucos foi dando certo e hoje nós estamos com mais de 400 casas feitas no local, somando as 120 casas construídas ao lado do Buriti. E esperamos fazer muito mais.

JC - Agora a JJP está iniciando um novo projeto...

JLC – É verdade, trata-se do loteamento Cidade Nova, onde a gente está iniciando a implantação da infraestrutura para a construção de 380 casas, para atender a uma parte da população com salários mais baixos, de um salário e meio até o teto de R$ 6,5 mil.

JC - Vai ser construído em parceria com algum banco?

JLC – Certamente sim. Estamos em negociações. Por enquanto não posso adiantar com que banco será. Eu acredito que em meados de fevereiro ou março a infraestrutura estará pronta e em junho, ou no máximo julho vamos iniciar a construção das casas. E já que nós vamos vender as casas na planta, estamos construindo três casas iguais aos três modelos que vamos construir, as quais serão 100% mobiliadas para que as pessoas tenham uma informação exata do tipo de imóvel que estarão adquirindo.

Teremos casas no valor de R$ 85 mil, que serão a maioria, casas de R$ 100 mil e de R$ 120 mil. O acesso é bastante fácil, podendo ser feito pela Transamazônica, entrando ao lado da Feira Agropecuária, dobrando à esquerda no residencial Viva Itaituba, ou pela Estrada do Bis, pelo loteamento Campo Belo. Vamos ter quadra de futebol, quadra de vôlei, academia ao ar livre, uma área verde e uma área institucional que nós vamos discutir com a prefeitura o que vai ser feito, se será uma escola, um posto de saúde, ou outra alternativa.

JC - Pensa em voltar para Portugal?

JLC - Vim com a ideia de ficar uns dois ou três anos, mas, mudei os planos. Aqui eu casei, já tendo duas filhas, uma de quatro e outra de nove anos. Vai ficando cada vez mais difícil voltar a morar em Portugal, porque hoje eu tenho duas raízes aqui. Uma é a família e a outra são os negócios. E pela cidade, pois eu gosto muito de Itaituba, que é uma cidade que ainda vai crescer muito. A gente tem que saber que virão coisas boas, mas, também vai vir muita coisa ruim. Isso é inevitável. Mas, sou otimista quanto ao futuro do município.

Publicado na edição 225 do JC