domingo, janeiro 22, 2017

Pará pede ajuda federal para investigar matanças

Pará pede ajuda federal para investigar matanças (Foto: Celso Rodrigues)Com a série de assassinatos que ocorreram na Região Metropolitana de Belém desde sexta-feira (20), após a morte do soldado Rafael da Silva Costa, da Rotam, o governador do Estado, Simão Jatene, telefonou para o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e pediu ajuda do governo federal nas investigações dos crimes. 
O secretário de segurança adjunto do Pará, coronel Hilton Benigno, disse que dos 30 assassinatos, 25 tinham características de execução. Ele confirmou que os crimes podem ter ligação com a morte do policial. "A gente leva em consideração a possibilidade de que os crimes sejam uma reação à morte do policial. Mas ainda não podemos afirmar isso com clareza", destacou o secretário à reportagem da Folha
Na sexta-feira, a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) criou um gabinete permanente de situação para acompanhar e monitorar as intercorrências registradas. O governo cobrou o envolvimento das corregedorias da Polícia Civil e Polícia Militar para esclarecer os fatos, identificar e punir os responsáveis.
Não foram dados detalhes da ajuda do governo federal, mas Benigno ressaltou que o apoio seria na área de inteligência. 

Mortes
O número de execuções ocorridas desde sexta-feira foi quase dez vezes superior à média diária de homicídios em Belém, que é de três casos, o que já é um índice preocupante e mostra a falta de fôlego do governo do Estado em reprimir os altos índices de criminalidade na capital.
O perfil dos crimes também fugiu do padrão usual: a maioria aconteceu durante a tarde de sexta e em 16 bairros diferentes de Belém, além de Ananindeua e Marituba. Normalmente, os homicídios acontecem à noite e concentram-se nos bairros mais violentos.
Série de assassinatos não é novidade
Em novembro de 2014, várias execuções foram realizadas após o assassinato do cabo da Rotam Antonio Marco da Silva Figueiredo, conhecido por Cabo Pet. Na época, Pet estava afastado de suas funções e foi morto em uma emboscada vítima de 20 disparos, no bairro do Guamá.

Na noite do dia 4, os crimes iniciaram e seguiram durante a madrugada do dia 5. A matança de novembro revelou o perfil do "cabo Pet" como um militar linha dura, tido como exemplar pelos companheiros de farda e bastante temido no Guamá, onde era visto como um ardoroso combatente da bandidagem. À época de sua morte, estava afastado da Rotam por razões de saúde e respondendo procedimentos disciplinares e inquéritos policiais, dentre os quais por homicídio, extorsão e abuso de poder.