domingo, janeiro 15, 2017

Com 4.196 mortes, Pará tem recorde de violência

Nunca se matou tanto no Pará. No ano passado, o Estado registrou 4.196 mortes violentas, o que representa um aumento de 11,2% em relação a 2015, quando foram notificados 3.772 casos. A tradução das estatísticas indica que, em 2016, houve praticamente uma morte a cada 2 horas, em todo o Estado. Os dados, obtidos com exclusividade pelo DIÁRIO junto ao Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp), da Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup), confirmam o que todo o paraense sente na própria pele: o Pará é refém da violência.

Os números do Sisp revelam uma realidade alarmante: 2016 foi o ano com o maior número de mortes violentas de todos os tempos, no Estado. Os dados assustam quase tanto quanto a criminalidade. Dos 4.196 casos de mortes violentas ocorridos no Pará no ano passado, foram 3.639 homicídios, 280 óbitos decorrentes de intervenção policial, 225 latrocínios e 52 lesões corporais seguidas de morte. 

EM BELÉM
Na capital paraense, a situação é ainda mais grave. No ano passado, houve aumento de 21,8% nos homicídios em relação a 2015, com 157 ocorrências a mais. Em 2016, foram registrados 877 assassinatos em Belém, contra 720 em 2015. Assim como aconteceu em relação ao Estado, os números da violência na capital também foram os maiores de todos os tempos. Para piorar, todos os municípios da Região Metropolitana de Belém (RMB) também apresentaram aumento de homicídios, em 2016. 

Além disso, ainda foram registradas 1.305 mortes no trânsito, em todo o Pará. Ou seja, por qualquer ótica que se analise a violência no Estado, os números são gravíssimos e alarmantes. São dados que expressam a situação dramática da segurança pública no Estado. E explicam a constante sensação de medo e insegurança que aflige o povo paraense dia a dia. A reportagem ouviu um oficial superior da Polícia Militar do Pará, que obviamente pediu para não ser identificado, o qual ressaltou que os números não surpreendem ninguém que vive o dia a dia da segurança pública no Pará. 

Segundo esta fonte, é precário o planejamento integrado e cada órgão atua da forma que bem entende. Na visão dele, “hoje a Secretaria de Segurança Pública (Segup) é peça meramente decorativa, não exerce nenhum controle operacional. É difícil para eu dizer isso, mas a segurança pública do Pará está totalmente sem rumo”.


Diário do Pará