domingo, outubro 02, 2016

Agora é com a gente, acertar ou errar

(Editorial, edição 220) -  Os candidatos venderam seu peixe. Foram aos quatro cantos do município levar suas mensagens até os mais distantes lugarejos, na tentativa de convencer o desconfiado eleitor, que anda muito ressabiado com os políticos, depois que muita gente engravatada foi parar atrás das grades.
            Nós, latinos, somos exageradamente passionais, na política e no futebol. Escolhemos em quem votar, com o coração, em vez de fazer isso com a razão. E isso costuma não ser muito bom, pois não são poucas as vezes que a paixão por qualquer coisa, ou por alguém, nos cega. Deixamos de lado as propostas, prestamos mais atenção nos ataques pessoais, e muitas vezes, seis meses depois nos lamuriamos pelos cantos dizendo que fomos enganados.
            A legislação eleitoral vigente permite que jornais e revistas impressos tenham algumas regalias que o Rádio e a Televisão não tem. Não são privilégios, e muita gente não entende o porquê. É simples de entender. O Rádio e a TV são concessões ou permissões públicas federais, enquanto jornais e revistas impressos são empresas comuns, constituídas de forma muito parecida como um comércio de variedades, como uma loja de produtos de beleza e assim por diante.
            Eu, como diretor e editor responsável pelo Jornal do Comércio, posso até dar minha opinião favorável a alguma candidatura, seja ela majoritária, ou proporcional. O que eu e qualquer pessoa na minha posição precisa ter é bom senso para não extrapolar o limite da responsabilidade. Mas, embora tenha essa liberdade, eu a minha esposa Marilene, sócia e diretora do JC, achamos por bem manter a neutralidade. Não por covardia, pois radialista e jornalista covarde não se cria.
            A Resolução do TSE nº 23.457/2015, que trata dessa matéria constante da Lei 9.504/97 diz que não será tomada como propaganda eleitoral a divulgação de opinião favorável a candidato, partido ou coligação pela imprensa escrita, desde que não seja matéria paga. Porém, serão apurados e punidos os abusos e os excessos, assim como as demais formas de uso indevido do meio de comunicação.
            Creio que optando pela neutralidade, contribuímos mais com o processo democrático. De modo especial em um município no qual as paixões por candidatos são ainda mais fortes do que em centros maiores, mais populosos.
            O que o eleitor deve levar muito em consideração na hora de escolher quem vai ser o gerente da sua cidade, é se a pessoa tem reais condições de administrar, sobretudo na situação atual, que é de crise, com cinto para lá de apertado e com tendência de piorar, pois ainda não foi vista a luz no final do túnel. O quadro que os especialistas pintam, mostra um cenário de dificuldades para todos os brasileiros, e o mais provável é que nenhum gestor público tenha vida mansa.
            Em 1998, no jornal Opinião, que eu publiquei pelo breve período de alguns meses, escrevi um artigo no qual eu afirmei que a maioria dos prefeitos, em vez de simplesmente tomar posse e cuidar dos interesses públicos, apossam-se do cargo como se fosse um bem que tivessem adquirido. Infelizmente, de lá para cá, 18 anos depois, as leis mudaram, fechou-se mais o cerco contra a roubalheira, mas, o problema de muitos gestores se apossarem do cargo continua, sem data para acabar.

            Quando esta edição do Jornal do Comércio começar a circular, faltarão apenas 72 horas para a alegria de uns e o choro de outros. Se formos competentes em nossas escolhas, tanto para o Poder Executivo, quanto para o Poder Legislativo, independente dos nomes, poderemos ter quatro anos de boa administração. Se errarmos, nós, os cidadãos de Itaituba é que iremos chorar. Portanto, antes de apertar a tecla verde da urna eletrônica, perguntemo-nos: será que estou fazendo a coisa certa? O voto de cada um de nós tem consequência. Não se esqueça disso.

             Jota Parente é jornalista, editor responsável do Jornal do Comércio