sexta-feira, agosto 05, 2016

Todos contra o estupro

            Em pleno Século 21, é inconcebível que ainda tenhamos que conviver com o problema do estupro em grande parte do mundo; inclusive no mundo ocidental, onde em alguns países isso parece ter voltado aos tempos medievais, onde a vida das pessoas valia nada.
            No Brasil tem sido recorrentes as notícias de estupros coletivos, como o ocorrido recentemente na cidade do Rio de Janeiro, onde um numeroso grupo de delinquentes apropriou-se de uma jovem indefesa, contra a qual praticaram todo tipo de barbaridade sexual, chegando ao ponto de filmar as cenas criminosas, expondo o crime pelas redes sociais, o que fez com que o fato hediondo ganhasse as manchetes nacionais e até internacionais.
            Lembram daquele caso do Piauí? Oito malfeitores pegaram quatro jovens, as quais foram levadas para um local ermo a fim de estuprá-las. Não satisfeitos, eles jogaram as moças de um local alto. Uma delas não resistiu à violência do impacto da queda, vindo a óbito.
            Os vagabundos, felizmente, estão presos e alguns enfrentam processos de julgamento. Mas, por maior que seja a pena que a justiça aplique, a vida da jovem brutalmente assassinada por aqueles monstros jamais será reparada. A marca da violência vai acompanhar as sobreviventes e suas famílias por todos os dias de suas vidas.
            Em nome de Alá o Estado Islâmico justifica o estupro de milhares de mulheres, muitas delas ainda crianças as quais nem preparadas estão pela natureza para iniciarem sua vida sexual. Observem aonde pode chegar a estupidez do ser humano.
            No Brasil a gente tem uma legislação rigorosa contra essa prática, mas, nem isso tem sido capaz de evitar esse tipo de crime covarde, levado a efeito por quem, quase sempre é mais forte do que a vítima, mesmo quando se trata apenas de um homem contra uma mulher. Se é que esse tipo de gente asquerosa merece ser chamado de homem, somente porque veste calcas.
            Nem mesmo a Lei Maria da Penha fez cair a um patamar civilizado o crime de estupro no nosso País, metido a liberal quando o assunto é sexo, porque continua predominando a máxima de que a mulher não deve provocar o macho com roupas sensuais, pois se não se vestir conforme determinam os ditames da cultura dos que tentam justificar o que não tem justificativa, elas estarão provocando o sexo oposto, e o resto da história a gente já sabe.
            Como é que vamos exigir que os gringos nos respeitem como se fôssemos um país que quer ser respeitado, se nos comportamos como colônia, conquanto parte deles vem para cá com o único objetivo de praticar turismo sexual, com a tolerância de muitos brasileiros? Isso não se deve apenas ao fator pobreza de boa parte das mulheres exploradas; deve-se em boa medida, à falta de uma boa educação sexual. Daí para chegar ao estupro é um pulo.
            O pior é que mesmo sem intenção, nós mulheres, muitas vezes contribuímos para alimentar essa cultura horrorosa, quando afirmamos: meu filho é macho, é pegador; deu sopa, ele traça mesmo. Tem aquele velho ditado que os pais gostavam de citar para justificar a ação dos “machos”: quem tiver suas cabritas que guarde, porque os meus bodes estão soltos. Isso alimentava e continua alimentando o imaginário masculino, que faz com que os garotos virem rapazes achando que podem fazer tudo que quiserem com as mulheres, inclusive, estuprar.
            Minhas caras leitoras, sobretudo as que tem filhos homens, cuidem para que eles possam ter uma boa educação sexual a fim de que cresçam como seres humanos normais, que vejam no sexo algo saudável, que deve ser prazeroso para as duas pessoas que se atraiam para viverem momentos inesquecíveis, em vez de transformar algo tão agradável que a natureza nos concedeu, em um tormento que pode estragar a vida de alguém, e na esmagadora maioria das vezes esse alguém é a mulher. Ou seja, trabalhemos para que nossos filhos sejam pessoais normais quanto ao sexo. Mais do que isso: que eles sejam firmes em suas posições contra a prática do estupro.

            Marilene Parente é bacharel em Direito

Na edição 217 do Jornal do Comércio, circulando desde hoje à tarde