sexta-feira, agosto 05, 2016

A sociedade tem o direito e o dever de cobrar providências contra a violência

            Jota Parente - O crescimento da violência na cidade de Itaituba vem tirando o sossego da população, que tem se visto às voltas com roubos, furtos, invasão a domicílios com espancamento de pessoas que se encontram no local, assassinatos, ação de criminosos organizados em quadrilhas, sem contar com a violência no trânsito, que ultimamente tem sido ofuscada por toda sorte de ocorrência.
            Terça-feira da semana passada, 26 de julho, a cidade despertou com a notícia da morte de cinco bandidos no bairro Vitória Régia, no começo do ramal do Jacarezinho. Eles foram mortos por policiais militares do Tático, segundo os quais, após reagiram à prisão. Tratava-se de parte de um bando muito maior e perigoso, que age na região e que se estabeleceu em Itaituba, aonde vinha agindo há algum tempo, implantando o terror por onde passava.
            Um empresário que foi vítima de alguns desses criminosos mortos, há pouco mais de um mês, reconheceu um deles, afirmando não ter a menor dúvida de que se tratava de um dos elementos que fizeram, ele e sua família de reféns em uma chácara que fica próximo da cidade, levando-o até sua residência de onde subtraíram muita coisa de valor.
            A ação da polícia recebeu apoio de toda a população da cidade de Itaituba, que tem andado muito preocupada com a rapidez com que muitos maus elementos presos pela Polícia Militar são liberados, voltando para as ruas para retornar imediatamente a praticar novos crimes. Essa impunidade alimenta a máquina do crime. Alguém precisa dar um basta nisso.
            Os comentários postados nas redes sociais foram de alívio pela eliminação de cinco criminosos que não mediam as consequências dos seus atos. O que importava para eles era obter êxito em suas ações, passando por cima de quem se interpusesse em seu caminho. O mais provável é que até mesmo os familiares deles tenham sentido alívio, pois certamente não era esse o caminho que desejavam para eles.
            O Brasil vem se transformando, cada vez mais, em um país violento. A ONU, em pesquisa de 2010, classificou o nosso País como violento e corrupto. Aquela ideia de que somos um povo bonzinho, caloroso, que recebe e trata bem os seus visitantes ficou no passado. Visitar o Brasil nos dias de hoje virou uma aventura, pois dependendo do lugar para onde for o turista, ele poderá não voltar para casa vivo.
            Em Itaituba não é diferente. Depois dos famosos anos de chumbo do auge da atividade garimpeira, houve um tempo de calmaria, nos quais os índices de violência mantiveram-se em patamares civilizados. Mas, bastou se especular que aqui tinha voltado a ser novamente a terra da promissão para recrudescer a violência.
            No retorno das atividades da Câmara Municipal, embora os vereadores estejam muito mais preocupados com suas campanhas, eles não podem fugir às suas responsabilidades. Precisam tratar dessa questão com firmeza. Não se trata de somente subir à tribuna para proferir discursos eloquentes com o objetivo de impressionar, mas, de fazer levantamentos sobre os números da violência e agir com a rapidez e a seriedade que o assunto requer. O povo clama por providências sérias.
É possível que ao tratarem do tema, alguém se magoe por se sentir atingido por acusações de que deixou de fazer o seu trabalho direito. Então, que façam o que tem que ser feito, sem subterfúgios. Aqui nesse rol encontram-se todos os órgãos ligados à segurança pública, do governo do Estado, das polícias, ao Ministério Público, até o Judiciário.
A morte desses cinco bandidos não vai acabar com essa violência que grassa em Itaituba nos dias atuais. É até possível que haja alguns dias em que os índices da criminalidade caiam, mas, que ninguém se iluda, pois daqui a pouco estará tudo igual, ou pior. É necessário que a sociedade organizada, em todos os seus setores, tome para si a responsabilidade de cobrar das autoridades competentes uma postura mais firme no combate a essa violência, pois não se trata de um problema localizado que afeta essa ou aquela parcela, mas, atinge o todo.

Quem paga o salário dos policiais, de juízes e promotores, dos vereadores, da prefeita, dos deputados, do secretário de segurança e do governador? A sociedade. Então, cobrar que todos eles cumpram com os seus deveres é direito da sociedade. 

Na edição 217 do Jornal do Comércio, circulando a partir da tarde de hoje