terça-feira, junho 14, 2016

Os jovens são a luz no fim do túnel

Jota Parente*
              O que aconteceu com os nossos jovens, que não mais se indignam com os absurdos que acontecem à sua volta? Será culpa deles, ou será culpa nossa, os mais velhos, que não lhes transmitimos esse sentimento de indignação diante de tanta coisa errada? Será que os caras pintadas de 1992, que foram pra rua pedir a saída do primeiro presidente eleito após a ditadura militar não fizeram escola?
            A coisa mais cômoda para o ser humano é apontar o dedo para o outro para mostrar que foi ele quem fez tal coisa errada. Então, para nós, os mais velhos, nada mais tranquilo do que afirmar que a atual geração de jovens é acomodada, que não quer nada com nada, que só quer saber de Face book e de WhatsApp, que não quer estudar, que só quer saber de sexo, etc..., etc..., etc...blá, blá, blá...
            Tem muita gente que já jogou a toalha, porque não acredita mais que o Brasil ainda possa ter jeito. Há quem considere que ninguém vai conseguir arrumar essa bagunça em que transformaram o nosso País, que virou motivo de pilhérias, tanto interna, quanto externamente. Nunca na história deste País, (apossando-me da frase preferido do ex-presidente Lula), o Brasil foi tão achincalhado, aqui e lá fora, e de novo, parafraseando o ex-presidente, nunca na história deste País a nação brasileira viveu com sua autoestima em tão baixo nível. Brinca-se até, dizendo que o brasileiro, hoje em dia, não tem autoestima, mas, baixa-estima.
            Mas, voltemos aos jovens, motivo desta reflexão em forma de crônica. Por que eles não se mexem? Será que eles enxergam uma luz no final do túnel? Será que eles vão nos permitir ver a tal luz?
            Ninguém pode afirmar com segurança que eles vão conseguir, mas, só essa juventude tão negligenciada pelos seguidos governos da República, talvez venha a ser, de fato, o que nos resta de esperança, desde que ela se ligue no que tem ocorrido em algumas partes do Brasil. E aqui cito dois casos que ganharam repercussão nacional, e até fora do País. Refiro-me ao movimento dos estudantes de São Paulo e do Rio de Janeiro, que estão forçando os senhores encastelados em suas fortalezas governamentais a saírem de suas tocas para prestar atenção no que essa juventude está fazendo.
            Que coisa linda foi a vitória dos estudantes paulistas que acamparam na Assembleia Legislativa do Estado, com o objetivo de forçar os “nobres” deputados estaduais a assinarem um pedido de CPI para apurar denúncias de irregularidades na compra da merenda escolar do estado mais rico da federação. E não pensem que isso foi conseguido com um simples estalar de dedos, pois houve reação, e muita reação do governo do senhor Geraldo Alckmin, que para minha decepção, fez de tudo para evitar a CPI, porque tem gente graúda de seu governo denunciada no esquema.
            Pois, por obra e graça daqueles garotos e garotas foi obtido um número muito maior do que o mínimo necessário para abrir a CPI, e até o PSDB de Alckmin se viu obrigado a rever sua posição. E quando disse antes, que para minha decepção, o governo paulista teve que rever sua posição é porque nutria certa simpatia pelo governador, que embora não tenha sido acusado de nada que lhe envolva pessoalmente em algum mal feito do governo, ele contrariou a transparência que sempre apregoou sobre seu governo, agindo como qualquer outro governante de estado ou da federação tem feito.
            O exemplo da outra turma vem do estado do Rio de Janeiro, aonde estudantes vem ocupando escolas há meses, como já tinham feito estudantes de São Paulo, que forçaram o governo a reconsiderar algumas decisões que afetavam a vida da estudantada. Os alunos cariocas já chegaram a estar ocupando vinte e seis escolas, empurrando o governo contra a parede e escancarando as mazelas que existem nos prédios e na qualidade do ensino, que não é uma exclusividade da população fluminense.
            É nessa garotada, que mesmo cometendo alguns excessos inerentes à carga hormonal de sua idade, eu coloco as minhas esperanças, pois ela está insatisfeita com esse estado de coisas que denigrem o País. Ela quer mudanças já, e é preciso que as mudanças aconteçam agora, e que não parem até que se chegue ao ponto desejado, pois chega desse status quo que vilipendia a honra deste povo maravilhoso. Portanto, há sim, uma luz no fim do túnel, e essa luz atende pelo nome de uma mudança no comportamento dos jovens, que precisam espalhar seu grito por todo o Brasil, para que se processe uma verdadeira revolução cuja arma seja a vontade de construir um país diferente do que temos hoje. Avante, juventude!

*Artigo publicado na edição 215 do Jornal do Comércio