quinta-feira, maio 12, 2016

Veja a repercussão do afastamento de Dilma entre países e líderes

Chancelarias comentaram a votação ocorrida no Senado.
Secretário da ONU pede calma e diálogo; Chile expressa 'preocupação'.


No decorrer desta quinta-feira (12), alguns países começaram a se manifestar a respeito da aprovação do afastamento de Dilma Rousseff no Senado. Veja abaixo o que disseram:

ONU
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, está monitorando os acontecimentos no Brasil e pede calma, depois que o Senado autorizou a abertura de processo de impeachment contra Dilma,  disse o porta-voz da ONU Stephane Dujarric.

"O secretário-geral faz um apelo por calma e diálogo entre todos os setores da sociedade", disse o porta-voz a repórteres. "Ele confia que as autoridades do país vão honrar o processo democrático, cumprindo com o Estado de Direito e a Constituição".

Argentina
O Ministério das Relações Exteriores argentino disse que "respeita o processo institucional que se desenvolve e confia que o desenlace da situação consolide a solidez da democracia brasileira". Os argentinos afirmam que seguirão dialogando com as autoridades constituídas a fim de seguir avançando com o processo de integração bilateral e regional.

Chile
A chancelaria chilena divulgou nota afirmando que o país acompanhou com atenção os acontecimentos recentes no Brasil, país que considera de histórica relevância econômica, diplomática e cultural, "inclusive no período da administração da amiga presidenta Dilma Rousseff, com a qual mantivemos excelentes relações".

"O governo do Chile expressa sua preocupação pelos acontecimentos dos últimos tempos nesta nação irmã, os quais geraram incerteza em nível internacional, considerando a gravitação do Brasil no âmbito regional", diz a nota. "Sabemos que a democracia brasileira é sólida e que os próprios brasileiros saberão resolver seus desafios internos. Ao mesmo tempo, o Chile reafirma seu decidido respaldo ao Estado de Direito, aos processos constitucionais e a instituições democráticas no Brasil e em cada um dos países da América do Sul", afirma.

Estados Unidos
O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, expressou confiança em que as instituições democráticas do Brasil são suficientemente "sólidas" para enfrentar a crise. "Pretendemos respeitar as instituições, tradições e procedimentos do governo", disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest. Ele afirmou que as instituições brasileiras são "suficientemente maduras e sólidas para resistir à crise política".

Rússia
O Ministério das Relações Exteriores russo informou por meio do Twitter que considera o processo de impeachment um assunto interno do Brasil e que deve ocorrer em estrita concordância com a Constituição brasileira. "A Rússia quer ver um Brasil estável e vibrante desempenhando um papel importante nas relações internacionais", disse a porta-voz do ministério Maria Zakharova, segundo o Twitter oficial da pasta.

Venezuela
A chancelaria venezuelana não divulgou nota, mas a ministra de relações exteriores Delcy Rodríguez postou no Twitter um convite para que a população de Caracas compareça a uma manifestação de apoio a Dilma Rousseff.

Colômbia
O governo da Colômbia fez votos para que se preserve "a estabilidade" e a "institucionalidade democrática" no Brasil. "Na atual conjuntura, a Colômbia confia na preservação da institucionalidade e da estabilidade, fundamentos indispensáveis do Estado de Direito", diz um comunicado da chancelaria colombiana. "A estabilidade do Brasil é muito importante para toda a região por sua influência e liderança", também destacou o texto, no qual o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia garante ter "seguido de perto o transcurso dos fatos ocorridos nas últimas semanas" no país.

Unasul
O secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper, afirmou que uma possível destituição da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, afastada temporariamente do cargo, significará uma ruptura do sistema democrático no Brasil.

"Se se continuar neste processo (...), poderíamos chegar a uma ruptura que seria preciso levar os países a analisar a aplicação ou não da cláusula democrática", disse em coletiva de imprensa no Equador. Esta cláusula da União das Nações Sul-americanas (Unasul) contempla impor sanções ao membro que romper a ordem democrática.

"Até o momento, não há uma ruptura da continuidade democrática", afirmou Samper, acrescentando que Dilma Rousseff "continua na condição de presidente constitucional, enquanto se resolve o julgamento que a afastou temporariamente de suas responsabilidades de caráter administrativo, não como chefe de Estado".