quarta-feira, março 23, 2016

Mineração garante ao Peru maior taxa de crescimento na América Latina

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Barack Obama, visitará o Peru em novembro. Em breve, o presidente da China, Xi Jinping, também estará lá. Poucos meses atrás, o país latino recebeu um importante encontro do FMI e do Banco Mundial. O motivo está na maior taxa de crescimento registrada na região que, em boa parte, se deve ao desempenho da mineração, apesar da forte oposição interna a investimentos estrangeiros no setor.

A economia peruana cresceu mais do que qualquer outra na América Latina em 2015: 3,3%. E pode repetir o feito em 2016, de acordo com projeções do FMI. O crescimento do Peru contrasta com a recessão histórica na Venezuela, uma potência petrolífera, e com o Brasil, a maior e mais diversificada economia da região. Ambas sofrem com instabilidade política, inflação crescente, políticas populistas e o clamor popular por novas lideranças.

"Os modelos deles não funcionaram. Há uma mudança para longe do populismo [na América Latina], disse ministro de Finanças do Peru, Alonso Segura, recentemente, ao canal CNNMoney.

A Argentina ainda luta contra uma inflação de dois dígitos. A moeda mexicana está em um patamar historicamente baixo. A Colômbia tem um nível de desemprego crescente. O Peru não tem esses problemas e, em vários aspectos, é o oposto do Brasil e da Venezuela do ponto de vista de ideais. Caminha para o capitalismo, não têm grandes casos de corrupção, e sua moeda, o sol, ficou mais forte frente ao dólar neste ano.

"Esperamos que o crescimento econômico [no Peru] continue robusto neste ano", diz Adam Collins, economista da Capital Economics. O país tem também um baixo índice de endividamento, cerca de 7% do PIB. Brasil, México e Colômbia, por exemplo, têm índices superiores a 40% de acordo com dados do FMI.

Segundo artigo da CNN, “diferentemente dos protestos e pedidos de impeachment no Brasil, o Peru pode ter uma pacífica eleição presidencial. A candidata que lidera as pesquisas é Keiko Fujimori, que estudou administração na universidade de Columbia [nos EUA]”. Keiko é filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que controlou o país de 1990 a 2000, hoje preso após ser condenado por crimes de lesa-humanidade e corrupção durante a sua gestão.

O Peru também foi afetado pela queda no preço das commodities como petróleo, cobre, zinco e ferro nos dois últimos anos. Em 2014, a economia desacelerou e cresceu somente 2,4%, metade da taxa registrada no ano anterior. Em 2014, o país produziu 7,2 milhões de toneladas de minério de ferro, volume levemente inferior às 7,3 milhões de toneladas produzidas em 2015. A produção de zinco e prata também se mantiveram estáveis.

A produção de ouro, por sua vez, caiu de 225,8 mil para 190,8 mil gramas. Enquanto a de cobre refinado cresceu 6,4%, de 263 mil toneladas para 280 mil toneladas. "Veja a resiliência da economia. Nós sofremos um dos maiores choques externos dos últimos anos e a economia continua acelerando”, diz Segura.

Contudo, o ambiente no país não é totalmente favorável à mineração. Houve mortos em diversos protestos realizados contra mineradoras em várias partes do país. No fim de setembro de 2015, o governo do Peru decretou estado de exceção em seis províncias onde ocorrem fortes protestos de moradores locais contra um gigantesco projeto de mineração financiado pela mineradora chinesa Minmetals.

Com a medida, ficaram suspensos por 30 dias os direitos de liberdade pessoal, de reuniões e de inviolabilidade de domicílio. Neste período, as Forças Armadas do país ficarão encarregadas de garantir o funcionamento dos serviços públicos.

Fonte: Notícias da Mineração
Enviado para o blog pelo geólogo José Waterloo Leal