segunda-feira, março 21, 2016

A instituição família e sua importância no processo de educar - Parte I

Marilene Parente
Escola e família. Esse é um tema apaixonante, repleto de nuances, muitos deles apresentando diferenças, porém, não contraditórios. É esse o motivo do artigo desta edição, que desejo compartilhar com os leitores, sendo ele de autoria da professora Ana Maria da Silva Fortes Aguiar, diretora pedagógica do Colégio Antares, de São Paulo. Vale a pena, tanto para pais, quanto para professores, ler o que ela escreveu.
A mim me dá  pena e preocupação quando convivo com famílias que experimentam a “tirania da liberdade” em que as crianças podem tudo: gritam, riscam paredes, ameaçam as visitas em face a autoridade complacente dos pais que se pensam ainda campeões da liberdade. (Paulo freire)
            A sociedade contemporânea vive uma crise de valores éticos e morais sem precedentes. Essa é uma certificação que todos percebem e vivenciam de alguma forma. O fato de ser uma educadora e participar do processo educativo por várias décadas, não me causa surpresa, pois é no ambiente escolar onde se manifestam as tensões e os impactos das transformações da vida em sociedade.
Atualmente, o sistema educacional brasileiro promove reflexões e discussões entre os educadores sobre questões como falta de “limites”, desrespeito em sala de aula, desmotivação dos alunos, entre outros. Observam-se professores cansados, e, muitas vezes, doentes física e mentalmente. Outros convivem com o sentimento de frustração, por planejarem projetos educacionais carregados de intencionalidade, mas não vivenciarem seus bons resultados.
Não há como desconsiderar que os acontecimentos atuais estão relacionados com a acelerada mudança no contexto social. O sistema educacional brasileiro, mergulhado numa avalanche de exigências, ainda caminha de forma incipiente para atender às novas demandas sociais, que não são poucas, e que não dependem apenas da instituição escola, mas também de outras instituições responsáveis pela formação integral das novas gerações.
Por esse motivo, nas discussões e reflexões na escola, sempre há  espaço para essa temática, na tentativa de compreender esse panorama tão complexo que afeta a educação, por ser no ambiente educacional onde as crianças e os jovens passam um grande tempo de sua vida. A escola não pode assumir sozinha toda responsabilidade de situações de conflitos existentes nas relações sociais, mas deve envolver a família nas ações que contribuam para fortalecer os padrões de conduta necessários à convivência humana.
Além disso, a função socializadora da escola abarca a busca de novas metodologias de trabalho para tornar o espaço educativo um ambiente de excelência em ensino e aprendizagem. Importante ressaltar que uma das competências da escola é proporcionar ao aluno a aprendizagem e o acesso ao conhecimento, sem cair na armadilha do entretenimento, pois esse espaço privilegiado para aprender não pode se transformar num local de divertimento e de lazer, essa experiência compete à família.
O cenário da educação no mundo tem ocupado páginas de jornais, revistas e dos noticiários televisivos, seja no tocante ao desempenho insatisfatório dos alunos, seja pelo aspecto comportamental que vem comprometendo o ensino e a aprendizagem. As manchetes tratam da indisciplina, da falta de respeito, do desinteresse escolar, do uso exacerbado de atitudes autoritárias e disciplinadoras, sem contar da ineficiência das políticas públicas que não respondem às reais necessidades da educação brasileira.
Essas e outras questões merecem um lugar de destaque por parte de todos os envolvidos, uma análise e reflexão mais criteriosa e crítica. Nessa perspectiva, é necessário refletir sobre o papel que a escola deve desempenhar nesse processo, sem ignorar a importância fundamental da família na formação e educação dos filhos.

É notório que nos últimos tempos uma das mudanças mais significativas se constata na maneira como a família atualmente se encontra organizada. Não existe apenas aquele modelo de família constituída de pai, mãe e filhos. Hoje, existem famílias dentro de famílias, com separações, novos casamentos, mas independente do arranjo familiar, nenhuma instituição muda abandonando por completo o velho. A mudança é gestada num processo de conscientização, sendo a reflexão a ferramenta de luta para novas opções e escolhas.

Publicado na edição 211 do Jornal do Comércio