segunda-feira, janeiro 25, 2016

Uma experiência quase fatal no trânsito de Itaituba

Jota Parente
            O ano de 2015 passou, mas, as estatísticas sobre a mortandade no trânsito de Itaituba ficou registrada como mais um ano sangrento nas ruas da cidade. Jovens, muitos jovens interromperam bruscamente sua existência, muitas vezes pelos arroubos da juventude, que equivocadamente acha que tudo pode, sem medir as consequências, ou sem uma mínima avaliação dos riscos de suas atitudes, pois não são poucos os que consideram que acidentes só acontecem com os outros.
            Eu levanto as mãos para o Céu em agradecimento por terminar este ano ileso, eu e minha família, depois de dirigir meu carro e pilotar minha moto pelos 365 dias do ano que passou. Mas, não sobraram situações de grande perigo nas quais a Providência esteve do meu lado como em um momento particularmente perigoso que enfrentei.
            Saía eu do bairro de São Francisco, com minha mulher e meu filho, no dia 6 de dezembro passado, um sábado à tarde. Ao tentar atravessar a 1ª Rua daquele bairro, para pegar a pista da Transamazônica que conduz ao aeroporto, só mesmo por milagre não sofremos um grave acidente.
            Olhei para minha esquerda, não vinha ninguém; dei uma boa olhada para a direita, e pelos meus cálculos, daria para atravessar com segurança. Todavia, só não podia prever duas variáveis: um ônibus da empresa que faz transporte para a Itacimpasa, que vinha em alta velocidade, e um mototaxista irresponsável, dos amarelinhos, que apareceu surgindo do nada na contramão.
            Numa fração de segundos eu fiz uma curva brusca para minha esquerda, o suficiente para não ser atingido pelo ônibus, cujo motorista buzinou nervoso e deu uma guinada para sua direita, o que também foi decisivo para evitar o choque. Confesso que segui em frente, mas fiquei em estado de choque, e nem poderia ser diferente, enquanto o mototaxista foi embora como se nada provocado, como se nenhuma possibilidade de acidente tivesse acontecido por culpa exclusiva dele.
            Muitos acidentes com vítimas fatais tiveram origem no consumo de álcool, muitas vezes, pelos dois lados envolvidos, quando aconteceram colisões com vítimas fatais. Esses, ignoraram o velho e batido, mas, sempre atual chavão que diz que direção e bebida não combinam. E não combinam mesmo, em tempo algum.
            Houve muitos casos nos quais o principal motivo foi a conivência de pais irresponsáveis, do tipo que enche o peito de orgulho quando, irresponsavelmente, entregam a chave de um carro ou de uma moto para um filho menor de idade, que além de não poder ser habilitado por não ter alcançado a idade legal, ainda vai para a balada, beber até encher a cara.
            Aos fatores já mencionados anteriormente, acrescenta-se a incomensurável irresponsabilidade de todos os condutores que dirigem sem o uso do cinto de segurança, mas, pior do que isso, dos motociclistas que pilotam sem o uso do capacete, que são encontrados todos os dias, aos montes pelas ruas da cidade.
            Há outro comportamento típico e não menos danoso e reprovável dos motociclistas de Itaituba, que é ultrapassar veículos pelo lado direito, o que obriga os motoristas a estarem constantemente atentos. Quem dirige um carro aqui e não vive de olho no retrovisor do lado do passageiro, na menor virada à direita pode derrubar algum irresponsável que surge de moto pelo lado errado.
            Aqui, tudo se pode fazer quase impunimente no trânsito, porque mesmo que os órgãos responsáveis atuassem com força máxima, sempre haverá alguém, em algum lugar fazendo coisas erradas, colocando a própria vida e a vida dos outros em perigo.
            Cobra-se muito da COMTRI e do DETRAN e é necessário cobrar que os agentes de trânsito estejam mais presentes nas ruas, orientando o trânsito, pois a presença deles inibe bastante a direção perigosa, porque os não habilitados, assim como os que trafegam com documento vencido se recolhem. Mas, em vez de somente terceirizar a culpa, é preciso a gente se olhar no espelho e com sinceridade se perguntar até onde estamos contribuindo para ter um trânsito mais humanizado. Temos que ter em mente que o trânsito é problema de todos, e que quanto mais condutores fizeram o que manda o manual, melhor e mais seguro ele vai se tornar. O benefício será para todos.

Publicado na edição 209 do Jornal do Comércio