sexta-feira, janeiro 22, 2016

Nélio: “Senador tramou contra o município de Santarém”

(O Impacto) - Inconformado com o anúncio de que a concessão da rodovia Santarém-Cuiabá (BR-163) chegará somente até o Porto de Miritituba, o médico e ex-deputado estadual Nélio Aguiar fez sérias revelações sobre a possível causa da privatização da estrada não chegar até o marco zero, no Porto da Companhia Docas do Pará (CDP), em Santarém.

Para ele, a disputa comercial entre as empresas graneleiras Amaggi e Cargill é o principal problema da concessão não chegar até Santarém. Tudo isso, segundo Nélio Aguiar, está acontecendo por causa da Amaggi, de propriedade do ex-governador do Estado do Mato Grosso e atual Senador, Blairo Maggi, ter o planejamento de construir um porto graneleiro em Miritituba, onde já existem dois funcionando e há o projeto de construção de mais oito portos.

“A gente questiona a existência de interesses comerciais, até porque a gente sabe da concorrência das empresas do Blairo Maggi, ex-governador do Mato Grosso, em relação à própria Cargill, que está instalada em Santarém. Existem outros interesses, não somente políticos, mas também comerciais, de deixar Santarém de fora desse projeto”, afirma Nélio.
Ele esclarece que vem fazendo o alerta sobre a concessão da BR-163 desde o ano passado, quando revelou que governo Federal planejava privatizar a rodovia Santarém-Cuiabá, somente até o Porto de Miritituba. “No ano passado eu estive em Brasília, em uma audiência com o Ministro do Planejamento e também numa reunião na Associação Comercial e Empresarial de Santarém (ACES) sobre a intenção do governo Federal na concessão da BR-163, que está previsto que ela chegue só até Miritituba. Eu fiz esse questionamento em Brasília. Eu disse: Ministro, a BR-163 não começa e nem termina em Miritituba, o marco zero da rodovia é no porto da CDP, em Santarém”, lembra Nélio Aguiar.

Para ele, tanto a população quanto as autoridades devem ter a visão de que a concessão deve chegar até o porto da CDP, em Santarém, porque os munícipes sofrem o mesmo impacto do escoamento da soja, no País. “Então, não é só Miritituba que vai ter necessidade de ter uma rodovia bem asfaltada e segura. Nós também temos essa necessidade. Por isso, há a necessidade de que Santarém não fique de fora dessa concessão, isso é uma injustiça! Nós temos que lutar. Os nossos representantes em Brasília têm que se envolver cada vez mais”, comenta Nélio Aguiar.

Sonho antigo dos empresários do agronegócio, a chamada ‘saída pelo Norte’ começou a virar realidade em abril de 2014, quando a empresa americana Bunge inaugurou o complexo portuário em Miritituba e Vila do Conde, no Pará. Miritituba e Santarenzinho, às margens do rio Tapajós, são os locais com o maior número de projetos de construção de portos, segundo a Secretaria de Portos (SEP). Ao todo 8 novos portos devem ser construídos em Miritituba e Santarenzinho, de acordo com a SEP. A lista inclui as empresas Cianport, Hidrovias do Brasil (Pátria), Cargill, Unirios, Amaggi, Dreyfus, Odebrecht e Bertolini.

O corredor abre uma nova rota para a exportação da soja e do milho colhidos no entorno dos municípios de Sinop, Sorriso, Nova Mutum e Lucas do Rio do Verde, cortados pela BR-163. Hoje, mais de 70% da safra mato-grossense é escoada pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), a mais de 2 mil quilômetros da origem. Alguns caminhões vão ainda mais longe, até São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS).

O objetivo é transformar o Distrito de Miritituba em uma espécie de “hub”, capaz de receber a produção do Médio-Norte de Mato Grosso e distribuí-la em comboios de barcaças para os portos exportadores de Santarém (PA), Vila Rica (PA) e Santana (AP).

AUDIÊNCIAS PÚBLICAS: Além de Santarém estar sendo deixada de fora da concessão da BR-163, de acordo com médico Nélio Aguiar, a cidade também foi excluída das audiências públicas sobre o projeto de privatização da zona de escoamento da soja. Na última segunda-feira, 18, uma audiência pública realizada em Brasília, no Distrito Federal, avaliou o trecho enquadrado da BR-163, no Programa de Exploração da Rodovia (PER), para a concessão.

Além dela, no dia 21 deste mês, aconteceu uma audiência pública, em Itaituba, onde debateu o corredor de escoamento de soja pela Região Norte do Brasil. Para o dia 26 deste mês também foi confirmada uma audiência em Sinop, no Estado do Mato Grosso.
“Pra gente ter uma idéia, até das audiências públicas Santarém ficou excluída. Nos excluíram até da oportunidade de nós participarmos da discussão e do debate. 

Se quisermos participar da discussão nós temos que nos deslocar até Itaituba ou Sinop, porque em Santarém não vai ser realizada nenhuma audiência pública. As três audiências públicas todas serão fora de Santarém. Então, aqui em Santarém nós sofremos diretamente o impacto da exportação da soja”, diz Nélio Aguiar.

Ele aponta que a população é testemunha da quantidade de carretas que estão chegando em Santarém, o que está aumentando a cada ano e a tendência é não diminuir. Nélio destaca que existe a previsão da construção de mais quatro portos em Santarém, o que significa que mais carretas devem circular com destino a cidade.

“Então, por que vamos ficar de fora? Por que essa visão de fazer uma concessão somente até Miritituba? E os demais 320 quilômetros, desde o quilômetro 30 até o porto de Santarém vão ficar abandonados? Vão ficar esburacados? Vão ficar sem ser duplicados? Porque o governo federal não vai dar conta disso. O governo federal não vai ter recursos para isso”, dispara Nélio Aguiar.