segunda-feira, janeiro 25, 2016

Didiu, um empresário realizado e político bem sucedido, com um pé no Piauí e outro em Itaituba

Jornal do Comércio, edição 209

         Antes de ser eleito prefeito do município de Paulistana, no Piauí, quase ninguém conhecia Gilberto José de Melo pelo nome de batismo. Se alguém perguntasse onde morava o Didiu, logo aparecia um monte de gente para dizer onde era, porque foi assim que ele ficou conhecido desde criança, quando ganhou o apelido dado por um irmão mais velho, cuja origem ele não faz a menor ideia.
         Paulistana é um município da região Sudeste do Piauí, que hoje tem cerca de vinte e um mil habitantes, mas, que poderiam ser perto de oitenta mil, se não tivesse ocorrido o desmembramento de quatro distritos que viram municípios. Fica no sertão do estado, distante mais ou menos cinquenta quilômetros em linha reta da divisa com o estado de Pernambuco.
         O leitor deve querer saber o que Paulistana tem a ver com Itaituba, para ser matéria de capa no Jornal do Comércio. Simples: o senhor Gilberto José de Melo tem um pé lá, e outro cá no Pará, no caso específico, em Itaituba. E trouxe sua empresa, a Didiu Importados para ficar. Tanto que inaugurou há poucas semanas, um moderno prédio próprio, na principal rua do comércio local. Ele abriu um espaço em sua concorrida agenda, para conversar com nossa reportagem a respeito de sua vida de um modo geral.
JC - Onde o senhor nasceu, e como foram os seus primeiros anos de vida?
Didiu – Eu nasci no município de Uricuri, em Pernambuco, filho de José Orácio de Melo e Ercília Esmera de Jesus, que tiveram quinze filhos. Meu pai trabalhava na roça, tocando a agricultura e a pecuária. Dois dos meus irmãos mais velhos entraram para o comércio, como vendedores ambulantes, atividade na qual também eu envolvi desde muito novo. Perdi minha mãe quando tinha apenas um ano e três meses, e por isso, meu irmão mais velho passou a ser para mim um segundo pai. Foi através dele que eu me tornei comerciante.
         Fazendo feiras nos estados de Pernambuco e Piauí, eu conheci Raimunda Ana Coelho, que mais tarde, quando casamos, acrescentou o Melo em seu sobrenome, na cidade de Paulistana, no Piauí. Isso foi em 1977. Somos casados até hoje. Terminei ficando por lá. Em 1993, sem querer, eu entrei na política.
JC – Chegou a trabalhar na roça?
Didiu – Ah, eu trabalhei muito na roça! Meu pai era um empregador na região, mas aquele empregador que ia com os filhos para o trabalho duro, de segunda a sábado, com descanso apenas no domingo. A gente plantava arroz, feijão, milho, mamona e algodão, além da criação de gado. Enfrentamos muitas dificuldades com secas. Eu saí da roça por causa de uma pesada seca que houve em 1976. Meu pai e outros irmãos ficaram. Saí com pouca coisa. Coloquei uma barraquinha na feira, com um metro de largura por dois metros de comprimento, vendendo roupa. Eu comprava primeiro em Juazeiro do Norte e depois conheci a famosa Feira da Sulanca, em Caruaru e por aí fui em frente.
         Mesmo depois que eu abri minha primeira loja, na cidade de Paulistana, continuei vendendo de feira em feira e cheguei a ter quatro caminhões. Cada caminhão tinha cinco pessoas que trabalhavam com a gente.
JC – Como surgiu esse apelido de Didiu
Didiu – Eu não sei. Acho que vem desde muito pequeno. Na minha família, dos quinze irmãos, quase todos tem um apelido. Tenho um irmão cujo nome é Ermelino, mas, só é conhecido por Samuel. Eu acho que é porque eu saí baixinho, numa família na qual, excetuando eu e uma irmã, todos os outros irmãos são bem graúdos.
JC – Os irmãos continuam em Pernambuco?
Didiu – Dos quinze irmãos, somente um faleceu vítima de infarto. O mais velho, que eu considero como um pai, ainda mora na cidade de Uricuri, onde virou político há muitos anos, tendo sido vice-prefeito, prefeito e vereador do município. Um filho dele já foi prefeito por dois mandatos e tenho uma irmã que foi prefeita de Santa Filomena, antigo distrito de Uricuri, que era onde a gente morava.
JC – A empresa Didiu nasceu em Paulistana?
Didiu – Exatamente. Tornei-me comerciante estabelecido lá. Eu viajava como vendedor ambulante pelos estados do Piauí, Maranhão, Tocantins e um pouco do estado de Pernambuco, mas voltava sempre para Paulistana, onde já tinha inaugurado a Didiu Variedades, que vendia um pouquinho de tudo, sem deixar de continuar andando de feira em feira. Isso faz mais de trinta anos.
         Já com os filhos criados, estudante em Teresina, após muitas andanças, chegando sempre muito perto do estado do Pará, eu tive uma vontade de mudar a maneira como desenvolvia o meu comércio. Em vez de continuar sendo um comerciante ambulante, resolvi que deveria montar uma loja em uma cidade grande.
Um dia eu saí da cidade de Paulistana, com destino a Araguaína, no Tocantins, com a ideia de que se lá não desse certo, eu iria até Marabá, no Pará. Como não consegui um ponto como eu queria, fui até Marabá, que terminei me agradando, e foi assim que eu me instalei no Pará, no ano 2000. Hoje o grupo conta com dezessete lojas no Pará e uma no Piauí, que é a primeira de todas, lá em Paulistana.
Montei essa loja em Marabá com a intenção de ser um pequeno varejista, mas, deu certo e me tornei um pequeno atacadista, que vende muita mercadora para toda a região da Transamazônica, inclusive para Itaituba, antes de vir para cá. Hoje, juntando todas as lojas, o Grupo Didiu gera em torno de 250 empregos.
JC – Como foi que Itaituba entrou no roteiro do Grupo Didiu?
Didiu – Há quase sete anos eu cheguei à cidade de Itaituba, alguns anos depois de ter entrado no Pará, por Marabá. Vim aqui, mas meus filhos tinham vontade de que a gente se instalasse em Santarém, mas, não conseguimos um ponto como a gente queria. Então, viemos para cá, e passamos um dia andando pra cima e pra baixo aqui na Rua Hugo de Mendonça, atrás de um ponto. Não conseguimos.
         Apareceu esse ponto na frente da cidade (Av. São José), que eu visitei com meus três filhos que estavam comigo. O mais velho não ficou nem um pouco animado. Disse que ali não daria certo. Mas, com a experiência de vida, eu lhe disse que a gente teria um lucro de X em doze meses, e ele retrucou falando que se conseguíssemos a metade do que eu previ, estaria muito bom.
         Ao final do tempo marcado, tínhamos obtido 2X com sobras. Já tinha dado certo. Aí, surgiu esse ponto na Rua Hugo de Mendonça, sobre o qual a gente já tinha conversado com a dona. Quando ela me ligou, em 2010, nós compramos esse imóvel. Há um ano e pouco começamos a construção do prédio, um investimentos alto, mas com certeza, vai ser garantia de mais sucesso, pois é assim que nós trabalhamos.
JC – A crise não assusta o empresário Didiu?
Didiu – A crise é real, ela existe e isso a gente não pode negar. Mas, ela derruba, seja no comércio, ou na política, quem não tem o controle da situação. Se estiver bom, a gente administra de um jeito; se estiver ruim, com promessa de piorar, a gente tem que apertar o cinto. E por isso eu posso dizer que nos nossos negócios nós não temos tanta crise. Damos prioridade a ter o nosso lucro pelo volume de nossas vendas. Ganhamos pouco em cada unidade vendida, mas, temos lucro na circulação rápida e no volume de venda da nossa mercadoria. Tem loja nossa, que entre 2014 e 2015 teve um crescimento mensal nas vendas, entre 15% e 20%.
JC – Como se deu seu ingresso na política?
Didiu – Desde que o município de Paulistana foi emancipado, há setenta e sete anos, havia uma disputa acirrada entre duas famílias que dominavam o poder. Quando eu me fixei lá, depois de casar com uma filha do lugar, começou e se montar um terceiro grupo.
         Um médico vindo de fora, João Crisóstomo de Oliveira, que se tornou muito popular, como candidato a prefeito, e este humildade comerciante, também vindo de fora, como candidato a vice, decidiram encarar um desafio difícil, que seria vencer as duas famílias rivais, que resolveram se juntar para disputar a prefeitura. A população resolveu mudar e nós fomos eleitos. Foi uma grande vitória.
Eu nunca tinha pensado em entrar em política, mas, o grupo dos médicos que apoiava a chapa e os comerciantes insistiram, até que eu aceitei. Eu fiquei por duas vezes como prefeito interino, e devo ter correspondido às expectativas e ficou meu nome implantado. Mas, houve um racha, tendo saído o médico de um lado e eu de outro. Ele venceu a eleição. Fiquei muitos anos afastado da política, e quando foi em 2008 eu resolvi voltar a disputar uma eleição novamente, já morando no Pará, em Marabá. Perdi por 305 votos, mas, considerei como uma vitória. Em 2012, embora não pretendesse mais disputar, mas, por conta de muita pressão da população e do governador da época, terminei me candidatando e vencendo a eleição.
         Hoje, depois de ter feito um enxugamento da máquina administrativa, mantendo os salários em dia, pagando os fornecedores, realizando muitas obras e mantendo uma administração transparente, parece que o Didiu caiu definitivamente nas graças da população, ao ponto de não haver, até agora, nenhum pré-candidato de oposição que tenha se apresentado com disposição para me enfrentar na eleição de outubro deste ano, caso decida concorrer a um segundo mandato, pois isso ainda vai depender de uma reunião com minha família, pois a política toma muito tempo.
A transparência é uma das marcas da nossa administração. No último quadrimestre que meu governo prestou contas, estive na Câmara Municipal das nove da manhã às cinco da tarde, pessoalmente, respondendo aos questionamentos dos munícipes. Não tenho nada a esconder da população; gosto de participar diretamente dessas prestações de conta, pois quando fui eleito tive sempre em mente trabalhar pelo meu município, mostrando sempre para onde está indo o dinheiro do contribuinte. É a velha história do, quem não deve, não teme.