quarta-feira, janeiro 20, 2016

42 Mortes, 438 Acidentes e 3.400 Atendimentos no HMI. Esse Foi o Balanço do Trânsito de Itaituba em 2015

Cone de trânsito e velocímetro em design plano                       As estatísticas a respeito da quantidade de óbitos, número de acidentes e pessoas que dão entrada no Hospital Municipal de Itaituba por causa de acidentes de trânsito neste município são impressionantes, e algumas delas são tão elevadas, que a reportagem precisou checar algumas informações que pareciam inverossímeis. Mas, lamentavelmente, é tudo verdade.
            Em termos percentuais, Itaituba está inserida entre as cidades brasileiras que tem um trânsito muito violento, das que mais registram mortes por acidentes de trânsito. Somente no ano de 2015, conforme o setor competente da secretaria de Saúde do município, morreram 42 pessoas. Isso apenas das mortes ocorridas aqui mesmo, pois quem foi transferido para Santarém por causa de acidente de trânsito ocorrido em Itaituba, e morreu naquela cidade, foi incluído nas estatísticas de óbitos daquele município.
            Supondo-se que a cidade de Itaituba possa ter 100 mil habitantes, que é mais ou menos o que se imagina ter, porque os números do censo do IBGE estão totalmente defasados, esse número de 42 mortes por 100 mil habitantes só encontra similaridade em algumas capitais onde o trânsito também é calamitoso como o daqui.
            A editoria do Jornal do Comércio solicitou e o 7º Grupamento de Bombeiros Militares enviou um relatório detalhado do número de acidentes de trânsito do ano passado, somente até o mês de outubro, por que falta fechar o balanço de novembro e dezembro. Aconteceram até então, 359 acidentes nas ruas da cidade, e alguns no interior, mas, a quase totalidade se registrou no perímetro urbano.
Tomando-se a média mensal do número de acidentes até outubro de 2015, esse número sobe para 438, pouco abaixo de 2014, quando o Corpo de Bombeiros registrou 445. Mas, é preciso levar em conta que esse número é maior, porque aqui não estão contabilizados os atendimentos feitos apenas pelo SAMU.
Outro dado assustador é a quantidade de pessoas que deram entrada no Hospital Municipal por conta de acidentes de trânsito. Foi exatamente nesse ponto que a reportagem achou melhor procurar a direção do HMI para verificar se não tinha havido algum engano. Não houve. Foi mostrado o volume de fichas preenchidas no decorrer de cada atendimento, chegando-se ao total de impressionantes 3.400 acidentados atendidos. Somente até o dia 13 de janeiro de 2016 o HMI registrou 124 atendimentos em seu pronto socorro por esse mesmo motivo. Ou seja, o ano começou na mesma balada de 2015.
Os números não metem. Eles são cem por cento verdadeiros e devem remeter a uma análise por parte das autoridades e da sociedade de um modo geral, pois além de ter virado caso de polícia, transformou-se, também, em um caso de saúde, pública, porque essa exagerada quantidade de pessoas que são atendidas diariamente pelos profissionais de saúde do Hospital Municipal, ocupam leitos e levam esses profissionais a terem que se desdobrar para darem conta de atender as outras ocorrências do dia a dia da população.
            De acordo com dados do DATASUS, do Ministério da Saúde, relativos ao ano de 2013, o estudo mais completo e confiável sobre esse assunto, disponível, Teresina é a capital mais perigosa para se andar nas ruas, pois apresentou uma taxa de mortes no trânsito de 55,83 pessoas por 100 mil habitantes. Em contrapartida, a cidade do Rio de Janeiro tem o menor índice, com 3,67 mortes por 100 mil habitantes.
            Santarém aparece nas estatísticas do DATASUS com números de primeiro mundo, apresentando em 2013, 0,35 mortes por cada 100 mil habitantes. Na outra ponta da violência por mortes no trânsito, Marabá teve 128 mortes, o que lhe valeu a média de 58,82 mortes por 100 habitantes, número alto, maior que de Teresina. O trânsito louco de São Paulo, temido por todos, ficou com 10,35 mortes por cada 100 mil habitantes, média razoável.
            No caso de Itaituba, mesmo levando-se em consideração que esse número de 42 mortes não deve crescer muito, se tiver acontecido algum óbito de acidentados levados daqui para Santarém, o total de vidas perdidas já é muito elevado, e demais preocupante, pois, embora haja muita cobrança quanto a um maior rigor das autoridades na fiscalização, essa situação não vai melhorar enquanto houver pais irresponsáveis que dão motos de presente para filhos menores, alguns com até doze anos, assim como pais que entregam seus reluzentes carros para filhos menores. O trânsito tem que ser visto como um problema de todos. Ou esses jovens vão continuar se matando, e matando pessoas que só querem ter o direito de trafegar em paz.