segunda-feira, dezembro 28, 2015

Para que partido irá Eliene?

Quem observa com um pouco mais de atenção as manobras na política partidária brasileira não ficou  surpreso do deputado Chapinha ter tirado o PSD das mãos da prefeita Eliene Nunes, pois a intervenção em diretório e comissão provisória de partidos pelo interior do estado é uma pratica que ocorre com muita freqüência e depende apenas dos interesses das executivas  estadual e nacional.
No caso em questão, a repercussão foi maior porque a puxada de tapete foi na gestora do município, que sempre dizia se sentir confortável e prestigiada dentro do partido, e confiava na seriedade do seu presidente nacional.
Toda a consideração que a prefeita imaginava que tinha dentro do PSD não foi suficiente para resistir à pressão de um deputado federal e, o raciocínio parece simples: quem deu mais votos para o partido no município controla a legenda.
Com esse argumento, o deputado Chapinha colocou o PSD no colo do ex-prefeito Valmir Climaco, e assim paga parte da divida que tinha com o ex-prefeito pelos doze mil votos que obteve aqui em Itaituba. Além disso, Chapadinha ainda pavimenta o caminho para o apoio que vai precisar numa futura tentativa de reeleição.  
E o ex-prefeito o que ganha com o PSD do seu lado? eleitoralmente, apenas o tempo da propaganda política no radio e televisão no ano que vem, o que convenhamos, já é alguma coisa, mas, nessa jogada política, o que conta mesmo é o constrangimento imposto à gestora do município, que em 2016 vai ter que disputar a eleição num partido periférico, e com tempo reduzido no horário eleitoral gratuito.
Tem mais detalhe nesse momento de instabilidade que a política nacional vem atravessando, a prefeita precisa encontrar um partido que não lhe deixe exposta a uma nova turbulência como essa, porque dessa vez a prefeita ainda tem tempo suficiente para encontrar outro ninho para se abrigar, mesmo que não seja o ninho dos tucanos, porque este já está ocupado, mas que seja seguro e que lhe garanta a tranqüilidade para enfrentar a disputa eleitoral do ano que vem sem estar sujeita a um novo sobressalto.
Eliene sabe muito bem que isso pode ocorrer novamente, pois ela mesma já passou por uma situação parecida, quando por conveniência da executiva estadual do PR, ela foi impedida de compor como vice a chapa do então candidato Roselito Soares para disputar a sua reeleição. Mas, enfim, trocar de partido às vésperas de um ano eleitoral também não é nenhuma novidade para a prefeita. 

       Jornalista Weliton Lima, comentário veiculado no telejornal Focalizando, quinta, 24/12/15.