quinta-feira, dezembro 24, 2015

Final do ano letivo: Hora de avaliar os filhos e a gente

*O cronista deve ser, antes de tudo, um observador do seu tempo e do seu meio. Não é possível escrever boas crônicas do cotidiano, produzindo textos do agrado dos leitores, retratando comportamentos de grupos sociais ou de indivíduos, sem uma acurada capacidade de percepção, pois embora não seja necessário revelar nomes, no meu caso, costume tratar de casos reais. É baseado neles que venho tentando aprender a passar mensagens positivas por meio do que escrevo.
Neste derradeiro artigo de 2015, destaco a necessidade que temos nós, pais que tem filhos em idade escolar, de fazermos uma avaliação detalhada e madura, despida de raiva e de revanchismo sobre o desempenho deles no decorrer do ano escolar, cujos resultados conhecemos há poucos dias. Disso pode depender o futuro dos nossos estudantes. As observações que fiz, referem-se a todo o período do ano letivo, pois o que acontece no final do ano é consequência de tudo que foi feito, ou do que deixou de ser feito.
Vi muitos pais exultantes por causa das boas notas dos filhos nos quatro bimestres e nas provas finais. Esses receberam a justa recompensa por terem sido pais presentes na vida escolar dos seus filhos. Esses são os pais que tem filhos pequenos, que foram acompanhados durante o ano todo, pois as crianças precisam disso. Não fizeram as tarefas escolares de casa para os filhos, mas, cobraram e estiveram ao lado tirando as dúvidas, funcionando como professores de reforço, que na verdade é o que são em tais momentos.
Encontrei pais, e não foram poucos, brigando com filhos do ensino fundamental, muitas vezes, crianças entre os seis e os dez anos, imputando-lhes toda a culpa por não terem se saído bem no ano letivo. Do tipo: trabalhamos o dia todo. A única coisa que tens para fazer é estudar, e me vens com umas notas dessas!
Casos houve de pais que preferiram colocar toda a responsabilidade na escola, de modo mais acentuado quando se trata de estabelecimento particular de ensino, alegando que pagam caro para que os filhos tenham uma boa educação. Consideram esses, que houve negligência da escola, quando eles nem estão em condições favoráveis para fazer esse tipo de avaliação, já que não acompanham o dia a dia escolar dos filhos, muito menos o que acontece intramuros na escola. Do mesmo modo, esse tipo de pais costuma culpar a escola quando seus filhos se comportam mal, chegando a afirmar que estão pagando é para os filhos serem educados, no sentido lato do termo.
Nós (eu e o Parente) fazemos parte do grupo de pais que chega a ter algumas indisposições com a escola por marcar presença em todos os momentos da vida escolar do Parentinho. Queremos saber como ele está se comportando, como está interagindo com a professora e com os coleguinhas e como está se saindo no aprendizado. Meu filho vai para a escola para ter uma boa educação no que concerne à formação e ao desenvolvimento intelectual. Vai para adquirir conhecimento e para se socializar, pois, ética, bons modos e limites ele já leva de casa.
Eu não aceito a desculpa dos pais que alegam não ter tempo para acompanhar os filhos nas tarefas que a escola manda para casa. Esse acompanhamento é fundamental, sobretudo até eles atingirem a idade de caminharem sozinhos, cabendo aos pais, nesse fase seguinte, muito mais um monitoramento sobre o andamento da vida escolar deles, do que um acompanhamento mais de perto. É a vida deles, é o futuro deles que está em jogo. Esse futuro poderá estar comprometido pela ausência de quem precisa estar sempre por perto.
Sidarta Gautama, o Buda, ensinou aos seus discípulos que os extremos devem ser evitados e que o Caminho do Meio é a forma de se chegar ao equilíbrio. Tomando como base o ensinamento dele, que foi um grande mestre,
podemos deduzir que, quanto maior for o nosso esmero na formação dos filhos, maior será a recompensa que todos terão no futuro, pois quando eles vierem a se tornar profissionais bem qualificados e pessoas equilibradas, toda a nação brasileira sairá ganhando. Ao nosso esforço, precisamos conjugar a coragem para exigir que o governo cumpra com suas obrigações, e que a escola procure trabalhar em consonância com os pais, sem achar-se dona absoluta da verdade, sem dar voz ao pais, mas, priorizando o diálogo construtivo com respeito o respeito mútuo. Que em 2016 busquemos o Caminho do Meio. (Bacharel em Direito pela Universidade do Grande ABC - São Paulo)

*Artigo publicado na edição 208 do Jornal do Comércio, que está circulando desde ontem