sexta-feira, setembro 04, 2015

Uma guinada e tanto, do Direito para o Jornal

Marilene Parente
Obtive o grau em Direito pela Universidade do Grande ABC, em Santo André, na grande São Paulo, em dezembro de 2001. Era mais do que natural que eu sonhasse com o dia em que abriria a porta do meu próprio escritório para trabalhar numa profissão que é elementar em um estado democrático, que é a advocacia. Afinal de contas, foi em Direito que eu me formei.

Não é que eu tenha abandonado esse sonho, pois até sou cobrada por não ter ainda me empenhado para fazer o exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Tem gente que diz: como pode você ter se matado estudando, fazendo um curso desses fora, com tanta concorrência, e não usufruir dos tantos anos de sacrifício?  Claro que não é fácil explicar as voltas que o mundo dá e as voltas que a vida dá.

Ao retornar de Santo André para Santarém, fiz um estágio de seis meses na Defensoria Pública, que foi de enorme valia para mim. Foi um grande aprendizado. Estava no caminho certo e tudo me direcionava para fazer o exame de ordem. Mas, embora eu ache que na maioria das vezes a responsabilidade pelo que ocorre na vida da gente é da gente mesmo, surgem algumas situações que fogem ao nosso controle.

Durante o período em que estagiei na Defensoria Pública, recebi alguns convites de advogados que me conheceram lá, para que após conseguir aprovação no exame da ordem eu os procurasse, abrindo a porta para que eu pudesse iniciar efetivamente uma carreira de advogada.

Apesar de ter feito o curso de Direito, sempre tive uma boa identificação com vendas. Foi por demonstrar aptidão para essa atividade que eu fui parar em uma carteira de seguros do Bradesco, que me possibilitou um bom aprendizado, tanto pelos cursos que tive oportunidade de fazer, patrocinados pelo banco, quanto pela experiência com a prática de venda de seguros, no dia a dia. Confesso que não é uma coisa muito fácil.

Ainda em Santarém, quando o Parente comentou comigo a ideia de criar um jornal impresso, juntamente com o jornalista Edinaldo Rodrigues, eu fiquei entusiasmada, pois mesmo não tendo até aquele momento nenhuma experiência nessa área, achei que aquilo poderia dar certo. Caso o Jornal do Comércio tivesse sido criado em Santarém, com certeza eu teria arregaçado as mangas para ajudar a viabilizá-lo financeiramente. Mas, estava escrito nas estrelas, que o lugar certo para lançar seria mesmo Itaituba, com o mesmo nome imaginado em Santarém.

Cheguei aqui sem conhecer ninguém que não fosse o Parente. Desconhecida, mas, determinada a lutar para que o nascente Jornal do Comércio não fosse apenas um acontecimento fugaz, como aconteceu com outros periódicos que surgiram e desapareceram poucas edições depois de lançados. Sabia que tinha um desafio pela frente, desafio esse meu e do editor-responsável.

E assim começamos como se fossemos uma equipe, não apenas uma dupla de teimosos dispostos a remar contra a correnteza e contra o pessimismo de alguns, como certo empresário, que no começo, poucos meses depois que o jornal estava circulando, ao ser contatado na tentativa de conseguir um anúncio comercial disse na minha cara, que jornal impresso em Itaituba tinha vida curta; não chegava a um ano. Quando já tínhamos passado dos nove anos de existência eu o encontrei e refresquei sua memória. Ele ficou meio sem graça, mas, tinha certa dose de razão, porque depois eu fui me informar e constatei que diversas publicações tiveram uma vida muito curta.
          
         Aqui estamos nós, dez anos depois, de cabeça erguida, graças à qualidade do produto que entregamos aos nossos leitores, que não se destaca pelas cores, posto que é impresso em somente uma cor, preta. O que vendemos é a credibilidade conquistada, primeiramente, nas quatro décadas de carreira do Parente, e depois pela maneira como eu e ele construímos este periódico quinzenal que hoje faz parte da vida do município e que já está inserido na história de Itaituba. Grande parte dessa história está registrada nas mais de quatro mil páginas publicadas até hoje. Foi uma longa jornada, mas, todo o sacrifício enfrentado tem valido a pena.


Artigo publicado na edição 203, comemorativa dos dez anos do Jornal do Comércio