terça-feira, setembro 15, 2015

Para os que ficam na Síria, a vida diária é um pesadelo

A cada manhã, ao raiar do dia, mulheres e crianças sírias deixam o subúrbio de Douma, em Damasco, para buscar alguma segurança, fugindo dos bombardeios diários do governo.

A caminhada é parte de uma rotina surreal descrita pela fração dos moradores de Douma que permanecem: compras em ruas semi-demolidas,  realização de enterros em massa fazem parte do cenário. Mas nem mesmo os campos são seguros; recentemente, disseram médicos, bombas mataram duas famílias lá - 10 pessoas, incluindo sete crianças.

Enquanto multidões de sírios cruzam a fronteira sonhando em chegar à Europa, eles deixam para trás esses pesadelos do país de origem. Elem abandonam bairros de Damasco e de Alepo que ficam cada vez mais desertos, os quais testemunham o grande êxodo que ocorre.


Os bombardeios foram acontecendo numa escalada crescente em áreas insurgentes como Douma, que se rebelaram contra o governo sírio em 2011. E apesar de tudo, a situação ainda pode piorar como ficou claro mês passado.

Mais de 550 pessoas foram mortas mês passado, das quais 123 eram crianças. 


Enquanto o mundo dispensa mais atenção para o Estado Islâmico, dando grande publicidade a esse movimento radical, a guerra entre o governo de Bashar Al Assad contra os insurgentes continua mais violenta do que antes. Essa guera começou a fazer com que milhares de pessoas deixassem suas casas muito antes do Estado Islâmico.

Tentar escapar significa ter que enfrentar uma grande batalha e riscos, mesmo para aqueles que não planejam pegar um bote para atravessar o Mediterrâneo. Começam os perigos desde o momento em que alguém resolve deixar a própria casa rumo ao desconhecido. Mas, é o que resta a fazer para quem não quer ficar parado esperando o próximo bombardeio.

Fonte: The New York Times
Tradução: Jota Parente