sexta-feira, setembro 04, 2015

Jornal do Comércio, dez anos de saudável teimosia

Weliton Lima
A expansão da internet no inicio da década de 1990, transformou-se num fenômeno da tecnologia moderna, que em pouco tempo passou a revolucionar as comunicações interpessoais e de massa, chegando a ser comparada no seu começo com o surgimento da televisão no inicio dos anos 50. A diferença em favor da internet é que esse sistema de comunicação continua evoluindo e em ritmo acelerado. A todo instante surgem novas ferramentas que dão maior instantaneidade às notícias, onde quer que elas aconteçam.

As plataformas de informação estão cada vez mais acessíveis à população, seja através de provedores, portais de serviços online, celulares e smatphones. Todo esse avanço tecnológico colocado a serviço da comunicação, em dado momento, em função de sua vertiginosa expansão começou-se a especular sobre o possível desaparecimento do habito da leitura matinal do velho e bom jornal de papel impresso, e não há duvidas de que o imediatismo da informação através da internet sacudiu as redações dos grandes jornais, e o baque disso foi sentido na diminuição diária da tiragem impressa,  forçando os grandes grupos de mídia impressa a se adaptarem a nova tecnologia e passar também a investir na versão eletrônica de seus jornais.

Se os grandes grupos editoriais, alguns estabelecidos com a solidez de quase séculos de atividade enfrentaram problemas com o advento da internet, imaginem então os pequenos informativos que além da concorrência com os outros veículos de comunicação, enfrentam ainda a disputa acirrada por anunciantes. Num cenário aonde o poder do capital costuma asfixiar quem se insurge a fazer publicações editoriais baseados na ética, atendo-se tão somente à descrição imparcial dos acontecimentos, chega ser quase um ato de bravura se manter no mercado por um período tão longo como é o caso do JORNAL DO COMÉRCIO. 

Paralelo de longevidade como esse são raríssimos encontrados no interior do estado e, na capital pode se destacar somente um caso, o JORNAL PESSOAL, do conceituado jornalista Lúcio Flávio Pinto, que por questões princípios decidiu romper com a grande mídia impressa da capital e passou a editar o seu próprio semanário, tornando-se referencia ao leitor, em razão da linha editorial adotada, trazendo para o conhecimento público, fatos que propositalmente são omitidos pelos jornais tradicionais do estado.

Aqui em Itaituba, ao longo dos mais de vinte anos que trabalho na imprensa, já acompanhei o surgimento de dezenas de tabloides que se mantiveram em atividade por algum tempo, a maioria deles a serviço de grupos políticos, por isso, sem a credibilidade que se faz necessário para um veiculo de comunicação adquirir o respeito e a confiança do leitor, atributos que tornaram o JORNAL DO COMERCIO o mais lido e respeitado de Itaituba, pelo conteúdo de suas matérias e opiniões criticas sempre pautadas e fundamentadas no mais claro sentido de informar aos seus leitores os acontecimentos mais importantes da vida cotidiano itaitubense.

Nas paginas do jornal estão registrados fatos que marcaram a história do município, seja na política, na economia ou eventos sociais, e esses registros com o decorrer dos anos vão se tornando documentos que atestam a veracidade dos fatos acontecidos e servirão com certeza como fonte de pesquisa para pesquisadores interessados em conhecer a nossa historia. E os recortes de seus artigos podem ser utilizados pela classe acadêmica para ilustrar teses ou monografias de conclusão de cursos.

Por tudo isso, como colaborador do JORNAL DO COMÉRCIO, sinto-me honrado em ter contribuído para que o jornal alçasse esse marco na imprensa escrita de Itaituba e afirmo que todo o sacrifício feito pela editoria do jornal, para manter a regularidade de suas publicações sem para isso precisar se curvar aos interesses de grupos políticos ou econômicos, representa uma grande vitória não somente do JORNAL DO COMÉRCIO, mas de toda a imprensa itaitubense.

Artigo publicado na edição 203, comemorativa dos dez anos do Jornal do Comércio