sexta-feira, setembro 04, 2015

Chegar aos dez anos é a concretização de um sonho

Jota Parente
Fazendo uso de uma acepção da Associação Nacional de Jornais (ANJ) para definir a razão de sua existência, um jornal deve servir para defender a liberdade de expressão, do pensamento e da propaganda, o funcionamento sem restrições da imprensa, observados os princípios de responsabilidade, e lutar pela defesa dos direitos humanos, os valores da democracia representativa e a livre iniciativa. Foi com esse conceito que foi criado o Jornal do Comércio, cuja primeira edição circulou em no dia 3 de setembro de 2005.
Um jornal deve ter por objetivo falar a verdade, e isso é possível se for praticado de forma incessante o bom jornalismo, aquele que vai atrás dos detalhes da notícia, que não se contenta em ser caixa de repercussão das outras formas de imprensa, que não admite em suas páginas a prática do partidarismo político ou de qualquer outra vertente.
Durante alguns anos de minha vida profissional eu conciliei duas atividades que de certa forma não são lá muito compatíveis: ser assessor de político e homem de imprensa. Primeiro, com Wilmar Freire, que foi deputado estadual por duas vezes, com o qual trabalhei, depois, com Wirland Freire, até sua morte. Aquilo, se do ponto de vista pecuniário foi bastante vantajoso na época, do ponto de vista profissional me deixava numa situação desconfortável, em virtude dos princípios com os quais alimentei o meu espírito de jornalista desde os primeiros anos desse ofício.
Em agosto de 2005, pouco depois de voltar para Itaituba, depois de uma breve estada em Santarém, comuniquei ao amigo Wilmar Freire, então pretenso candidato a deputado estadual na eleição de 2006, que eu havia decido afastar-me completamente do trabalho de assessor político, porque estava determinado a voltar a fazer o que sempre fiz na vida: dedicar-me exclusivamente ao mister de homem da imprensa, e mais ainda, ao jornalismo, no qual granjeei respeito ao longo da vida.
Ao ser informado, inicialmente Wilmar não gostou muito da ideia, pois contava com minha participação em sua próxima campanha que terminou não acontecendo. Eu lhe disse que, se ele que era meu amigo de tantos anos, não compreendesse e até me ajudasse naquele momento crucial, de quem mais eu poderia esperar compreensão. Foi então que ele falou: ‘está bem, patrão, você tem razão; vou lhe ajudar no que for preciso’. Naquele instante acabava de nascer o Jornal do Comércio, pois ele me colocou à disposição um computador e o restante do material de expediente necessário, porque como já relatei algumas vezes, nem uma folha de papel eu tinha para começar.
Chegar a esse 3 de setembro de 2015 foi um sonho acalantado por todos esses anos, por mim e por minha esposa Marilene, companheira de todas as horas, sem a qual dificilmente o Jornal do Comércio Existiria. Cuidamos deste jornal como se fosse uma criança que vai crescendo a cada dia. A seriedade da nossa linha editorial que não mudou durante todo esse tempo, o apoio dos nossos anunciantes e dos assinantes, aliados à nossa perseverança foi o que nos fez chegar até aqui.
No começo, muitos se referiam ao JC tratando-o por jornalzinho, uma parte de forma carinhosa, mas, tantos outros em tom pejorativo. Isso em função das reduzidas dimensões deste periódico, que é um tabloide pequeno. O nosso jornal cresceu. Não, na altura, nem na largura de suas páginas, mas, no número de páginas, que saltou de doze, no começo, para vinte e quatro, atualmente.
Esta edição é para lá de especial, e nem poderia ser diferente, pois não é todo dia que um jornal impresso completa dez anos de atividade ininterrupta em Itaituba, uma cidade que ainda está desenvolvendo o hábito da leitura. E já foi muito pior, como quando o jornal nasceu. São muitas as vicissitudes que levam jornais à falência, pouco tempo depois de nascerem, porque essa atividade requer dedicação exclusiva e atenção constante em todos os aspectos, sobretudo no aspecto comercial que é responsável para que as contas sejam pagas.
Por ser uma edição especial, o jornal sai com um número de páginas bem maior do que o habitual. Solicitamos a participação de diversas pessoas que de alguma forma fazem parte da nossa história, como o reconhecido e competente jornalista Manuel Dutra, que escreveu um artigo especial para este número. Também incluímos um resumo das principais manchetes num total de seis páginas, e o poema O Garimpeiro, que produzi a partir das comemorações do cinquentenário da garimpagem de ouro na região do Tapajós. Enfim, a edição está recheada de matérias interessantes que certamente vão agradar o nosso leitor.

                               
Artigo publicado na edição 203, comemorativa dos dez anos do Jornal do Comércio