segunda-feira, setembro 21, 2015

'Ficavam de joelhos em grãos', diz conselheira sobre 'quarto da tortura'

Meninos de 7, 8 e 11 anos disseram ser espancados há anos por mulher.
Eles e uma irmã, de 4, viviam com 'mãe adotiva' em chácara de Tatuí (SP).

Caio Gomes SilveiraDo G1 Itapetininga e Região
Crianças ficavam trancadas em 'quarto da tortura', diz órgão (Foto: Divulgação/ Conselho Tutelar Tatuí)Crianças ficavam trancadas em 'quarto da tortura', diz órgão (Foto: Divulgação/ Conselho Tutelar Tatuí)
Os três irmãos de 7, 8 e 11 anos que disseram ser espancados com cordas e tiras de borrachas e ficar presos por horas em um “quarto da tortura”, em Tatuí (SP), “eram obrigados pela ‘mãe adotiva’ a ficar de joelhos sobre grãos de milho como forma de punição”, segundo a conselheira tutelar Fabiana Cristina Campos. “Os castigos ocorriam por motivos fúteis, como quando um dos meninos fizesse algo de errado, por exemplo, discussão entre eles. Eram ‘correções’ que diminuem o desenvolvimento ao invés de favorecer”, afirma.
Os meninos viviam com uma irmã de 4 anos (que não apanhava, segundo a conselheira) na casa da mulher desde 2012, em uma chácara no Bairro Guarapó, zona rural de Tatuí. O caso foi descoberto na sexta-feira (18), quando a própria mãe biológica denunciou.
“O menino de 8 anos brigou na escola na quinta-feira (17) e a direção chamou a mãe adotiva para contar o caso. Ao voltar para casa, essa criança apanhou e ficou cerca de duas horas presa no quarto. Na sexta-feira, ele faltou à escola devido aos roxos no corpo, por isso, a mãe biológica descobriu. Ela conversou com a filha da agressora que a agrediu e depois bateu no menino e voltou a deixá-lo trancado por horas durante a tarde de sexta. No fim da tarde é que houve a denúncia. Quando encontramos o menino, as costas estavam pretas de tantos hematomas”, explica Fabiana.
O 'quarto da tortura'
De acordo com a conselheira tutelar, o “quarto da tortura” era sujo, mal ventilado e usado para guardar ferramentas agrícolas. O espaço ficava nos fundos da casa onde, além da mãe e filha suspeitas, viviam outras pessoas. “Na casa onde viviam as crianças e as agressoras havia ainda outros quatro casais. É uma casa grande, mas com visível falta de higiene. Na mesma área também há outras residência com moradores. Mas não chegamos a contar quantas pessoas vivem no mesmo terreno, porque não interfere no caso”, diz.
A mãe biológica deu os filhos sem autorização judicial, alegando falta de condições para cuidá-los. “Ela é uma pessoa sem instrução e estudos. Contou que deu as crianças porque a mulher se dispôs a cuidar delas e também para que ela pudesse trabalhar. Quando foi presa, nenhum familiar veio acompanhar, somente o atual companheiro dela. Falta tanta instrução que ela está com barriga de gravidez, mas não tem certeza se está.”