segunda-feira, agosto 24, 2015

Operação 'Madeira Limpa' leva 21 para a cadeia no Pará

Polícia Federal prende servidores públicos do Pará (Foto: Divulgação/Polícia Federal)
A Polícia Federal iniciou, na madrugada desta segunda-feira (24), a operação "Madeira Limpa" em Belém, Ananindeua, Castanhal, Santarém, Óbidos, Oriximiná, Monte Alegre, Uruará, além de Manaus (AM) e Florianópolis (SC).
A operação cumpre mandados de prisão preventiva e temporária de 33 pessoas, incluindo servidores públicos federais e estaduais. Entre os presos estão o secretário de meio ambiente de Óbidos, Vinícius Picanço Lopes; Luiz Bacelar Guerreiro Júnior, superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Santarém; funcionários da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e um integrante da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa). 
A operação desarticulou a quadrilha de comércio ilegal de madeira. O grupo é acusado de coagir trabalhadores rurais a aceitarem a exploração ilegal de madeira dos assentamentos da região Oeste do Pará, em troca da manutenção de direitos básicos, como o acesso a créditos e a programas sociais.
Segundo a Polícia Federal , o golpe ao patrimônio público é de R$ 31,5 milhões. A operação foi requerida pelo Ministério Público Federal (MPF) e autorizada pela Justiça Federal.
Também estão sendo cumpridos 37 mandados de busca e apreensão em residências de suspeitos e nos órgãos públicos envolvidos. O MPF também pediu à Justiça que quatro servidores suspeitos sejam afastados de seus cargos, e que os presos na operação sejam encaminhados ao Centro de Recuperação Sílvio Hall de Moura, em Santarém.
Corrupção ativa e passiva, associação criminosa, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica, uso de documento falso, crimes contra a flora e crimes contra a administração ambiental são as acusações ao grupo.
Segundo as investigações do MPF, iniciadas em 2014, o grupo atuava em três frentes interligadas: um núcleo intermediador e empresarial, um núcleo operacional centralizado no Incra e um núcleo relacionado às fraudes em órgãos ambientais.
O primeiro núcleo concentrava os negociantes de créditos florestais fictícios, negociantes são conhecidos como "papeleiros",  e empresas que recebiam a madeira extraída ilegalmente, o segundo núcleo atuava diretamente com o desmatamento, sob a permissão de servidores do Incra, e o terceiro núcleo ficava responsável pela mercantilização de informações privilegiadas sobre fiscalizações realizadas por órgãos ambientais, e pela liberação irregular de empresas com pendências nessas instituições. 
(DOL com informações da Polícia Federal)