sexta-feira, agosto 28, 2015

Dilma se irrita ao ser impedida por funcionário de passar em trecho de cerimonial no Planalto

BRASÍLIA - Antes do início oficial da cerimônia de comemoração dos 10 anos do programa Bolsa Atleta e recepção aos atletas dos jogos Parapan-Americanos de Toronto 2015, que foram os maiores medalhistas da competição, a presidente Dilma Rousseff foi impedida de passar por um funcionário do Cerimonial do Palácio do Planalto e se irritou.

O episódio ocorreu quando Dilma e os atletas se dirigiam do Salão Leste, onde a presidente os recebeu e os cumprimentou, para o Salão Nobre, local da cerimônia. Próximo à rampa do grande salão, o caminho afunilou e o funcionário se postou na frente de Dilma, abrindo os braços para que ela parasse, dando a oportunidade de os atletas cadeirantes e demais esportistas seguissem o caminho. Visivelmente contrariada, Dilma reclamou com ele.

Segundo a presidente do Comitê Nacional do Cerimonial Público, Yvone de Almeida, houve uma "precipitação" dos funcionários responsáveis pelo protocolo no Planalto.
— Para você avaliar com segurança o que ocorreu, é preciso ver se houve um planejamento. Pelo que eu li e soube sobre o assunto, foi anunciado que a cerimônia iria ocorrer em outro lugar. Depois de feito o anúncio, a presidente foi barrada por um funcionário. Se ela foi informada que era para se deslocar, ela atendeu a um chamado do cerimonial.


Yvone diz que a presidente foi chamada em um momento inadequado.

— Essa é a minha interpretação. Houve uma precipitação do mestre de cerimônia. Ele precisa ter total domínio da situação. Houve uma precipitação, e naturalmente um descontentamento de uma autoridade. No caso, a presidente da República. Essa é uma opinião superficial, de quem não estava presente. Cerimonial é, sobretudo, planejamento, uma coreografia.

Para a presidente da ONG VIDAS, Patrícia Goloni Lolo, que ajuda pessoas com deficiência, os cadeirantes devem ser tratados como qualquer outra pessoa:

— Tudo o que o cadeirante quer é ser tratado como uma pessoa normal. Qualquer pessoa que estivesse diante do presidente da República, o deixaria passar primeiro. Então, acho que o protocolo deveria seguir da mesma forma. Se o andante esperaria, por que o cadeirante não poderia esperar? — questiona. (O Globo)