quinta-feira, julho 16, 2015

MEC quer estudantes falando errado

           Marilene Parente - Há duas semanas, o Ministério da Educação distribuiu cerca de 500 mil livros didáticos nas escolas públicas brasileiras, patrocinando mais uma ação atrapalhada e estúpida, fazendo a gente lembrar daquele velho ditado que diz, que muito ajuda, quem não atrapalha.  Pois o governo, além de não ajudar, ainda atrapalha quando, unilateralmente, sem qualquer tipo de discussão com a sociedade, muito menos, com os outros países de língua Portuguesa, tenta mudar o modo de se falar o Certo e o Errado.
            O governo trapalhão, que tentou há pouco impor a tal da ideologia de gênero, que foi rejeitada em quase todo o Brasil, agora aparece querendo que as escolas públicas trabalhem junto aos estudantes, para praticarem o politicamente correto; em vez de falarem que uma determinada coisa, ou certas atitudes de pessoas que na prática são certas ou erradas, que seja dito, adequado, ou inadequado.
            Como o governo não tem autoridade para impor essa estupidez como parte intrínseca da língua portuguesa, ressalta que a norma culta, aquela que é exigida no correto modo de falar e escrever o nosso idioma, continuará sendo a resultante dos acordos dos países que falam Português, porque somente através de acordos entre as maiores autoridades do nosso vernáculo podem ocorrer mudanças.
            A propósito dessa recomendação estapafúrdia, o jornalista Alexandre Garcia fez um comentário em um dos telejornais da Rede Globo, muito bem elaborado e que condiz com o que penso a respeito do assunto.
            Quando a gente estava no primeiro ano do grupo escolar, a professora nos corrigia sempre que falávamos errado, porque ela estava nos preparando para vencer na vida. É notório que o conhecimento dos eleitores, dos contribuintes, dos homens que tocam a indústria, torna as pessoas conscientes e é isso que faz o país crescer, lembra Alexandre.
            O conhecimento não cai do Céu. Ele vem através da educação que recebemos em casa, na escola e na vida. A raiz de tudo, diz Alexandre Garcia, está na capacidade que temos de nos comunicarmos de maneira simples. E a linguagem escrita, aquela que nos permite registrar tudo é uma das coisas que nos diferenciam dos outros animais.
            A educação liberta e torna a vida melhor porque nos livra da ignorância, que condena a uma vida difícil. Quem for nivelado por baixo no que tange a educação, terá a vida mais dura, porque ela será nivelada por baixo. Pois não é, como disse Alexandre Garcia, que esse livro que o governo mandou para as escolas públicas, chama-se Por Uma Vida Melhor! É ou não é uma ironia?
            Se fosse apenas uma polêmica, prossegue o articulista, o problema seria de menor importância, mas, se trata de um livro distribuído pelo governo federal para cerca de meio milhão de estudantes fazendo parte do currículo escolar. É abonado pelo Ministério da Educação, que na moda do politicamente correto, defende o falar errado para evitar o preconceito não se sabe ao que.
            Gosto de conversar com pessoas mais velhas, que fizeram o curso primário na década de 1960, antes que a ditadura militar começasse a desmontar o velho jeito de ensinar, a guisa de a Educação entrar na modernidade. Aquele jeito velho, considerado obsoleto, fazia com que os alunos estudassem tabuada, lessem na frente de todos os colegas, aprendessem as quatro operações da Matemática e fizessem redações. Em suma, o jeito ultrapassado fazia o aluno sair da quinta série primária, sabendo ler e escrever corretamente, coisa que infelizmente só uma pequena parte dos que terminam o Ensino Médio o fazem nos dias de hoje.
            Em vez de o Brasil seguir o bom exemplo dos tigres asiáticos, dos quais quem mais se destacou foi a Coreia do Sul, bem como de outros países onde a Educação é levada a sério, como os países nórdicos, fica querendo implantar o velho e esse sim, ultrapassado e falido modelo dos países comunistas.
                Meu filho de sete anos estuda em escola particular, mas, mesmo que ele estudasse em escola pública, eu continuaria ensinando a ele, que certo é o mesmo que correto, verdadeiro. enquanto errado é o mesmo que incorreto, algo que não está certo. Já, adequado quer dizer, o que é bom para determinado efeito, lugar ou objetivo, e inadequado significa, que não é bom ou impróprio para determinado efeito, lugar ou objetivo. Quer dizer, além de todas as lambanças na política e na economia, esse governo ainda quer ensinar os nossos estudantes a falar errado a língua pátria. Assim já é demais! Assim, a Pátria Educadora, slogan desse segundo governo da Dilma, não aguenta. Ou seria mais correto dizer, Pátria Desecudadora?

Na edição 201 do Jornal do Comércio, circulando hoje