quinta-feira, julho 02, 2015

Empresários são presos por fraudes ambientais

Empresários são presos por fraudes ambientais (Foto: Divulgação)Durante uma operação realizada por policiais civis na madrugada de ontem, foram presos nove homens e uma mulher supostamente envolvidos em fraudes, negociatas milionárias, desmatamento e lavagem de dinheiro, movimentando mais de 300 milhões reais, assim como cerca de 400 mil metros cúbicos de madeira. As investigações começaram em fevereiro deste ano e os valores, segundo a polícia, seriam revertidos a projetos de manejo florestal em áreas de floresta nativa.
Dentre os presos está uma engenheira florestal que já havia sido presa pelo mesmo crime. Ela foi identificada como Rosane do Amaral Freitas. Os demais presos são: Rodrigo Beachine de Andrade, Menandro Souza Freire, Alex Renato Carvalho, André Chacon Rocha da Costa, Arley Figueiredo Rosas, Cleber Eduardo de Lima Ferreira, Edmilson Rodrigues da Silva, Wildemar Rosa Fernandes Filho e Gelson Gomes de Andrade. A maioria é formada por empresários. 
Além do envolvimento no crime, um ponto em comum entre os envolvidos era a ostentação. O empresário Cleber Ferreira, por exemplo, mantinha o hábito de postar fotos nas redes sociais mostrando o seu patrimônio. Há imagens dele exibindo relógios caros, joias, carros de luxo e viagens pelo mundo. Outro envolvido é o empresário Tarcísio Augusto Pereira, que apareceu em imagens dentro de um jatinho, sem camisa e tomando uísque. Tarcísio, que é considerado pela polícia um dos líderes do grupo, está foragido. 
Segundo o delegado Marcos Miléo, do Núcleo de Inteligência Policial e que comandou as investigações, o trabalho foi realizado em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) em razão de uma inserção fraudulenta de 121.391.300m³ em créditos florestais na Madeireira Sagrada Família. Miléo contou que na primeira fase da investigação, foi presa uma ex-funcionária da Semas, que havia lançado créditos fraudulentos na pasta da Sagrada Família, no município de Pacajás.
O delegado também afirma que não tem dúvida de que se trata de uma organização criminosa que compra empresas, colocando-as em nome de laranjas, a fim de obter um melhor resultado para seus objetivos criminosos, agindo de modo inescrupuloso, utilizando-se de recursos fraudulentos, o uso de empresas fantasmas e a comercialização de créditos florestais em larga escala.
Miléo disse que, de fevereiro até junho deste ano, foi quando a quadrilha mais atuou. Ele divulgou os nomes dos presos, que foram apresentados na Delegacia Geral na manhã de ontem, ouvidos em depoimento e em seguida encaminhados para o Sistema Penitenciário.
Além da capital, a operação foi realizada em Castanhal, Uruará, Tucuruí e Itaituba. No total, 60 policiais civis participaram da ação, entre equipes do Grupo de Pronto-Emprego (GPE), e de Divisões Especializadas. Durante a operação, duas pistolas calibres 38, um revólver calibre 38 e uma escopeta 12 foram apreendidos em posse de acusados de envolvimento no esquema e, assim, eles também vão responder por posse ilegal de arma de fogo.
(Diário do Pará)