domingo, julho 26, 2015

Comunidades poderão ter energia hidrocinética

Comunidades poderão ter energia hidrocinética (Foto: Divulgação)

Há 40 anos, começava a ser construída a Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no leito do Rio Tocantins, no Sudeste do Pará. A obra é fruto do chamado “milagre brasileiro”, propagado pela Ditadura Militar nos anos 1970 e 1980. Desde então, o leito do Tocantins, abaixo do barramento, nunca mais foi o mesmo. O represamento da água para fazer movimentar as gigantescas turbinas mudou drasticamente o ambiente chamado de jusante - o trecho ao longo do rio, depois da barragem. Um dos impactos comprovados é a redução da quantidade de peixes. É inegável que, tanto do ponto de vista ecológico como do socioeconômico, o Baixo Tocantins vem vivenciando, há décadas, uma profunda transformação.
HERANÇAS
Os anos se passaram e as compensações pelo barramento de Tucuruí ainda fazem parte de discursos das comunidades que vivem no entorno da usina e de ambientalistas, que não se cansam de retratar as mazelas causadas pela megaconstrução. A pior crítica é o fato de muitas comunidades ribeirinhas ainda sofrerem com a falta de energia elétrica, apesar de conviverem com as linhas de transmissão, que carregam energia para abastecer outras regiões do país.Em matéria recente, o DIÁRIO mostrou que o Ministério de Minas e Energia lançou um edital para projeto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (P&D), com o objetivo de captar energia solar dos grandes reservatórios de usinas hidrelétricas do país.
O projeto poderia ser a solução para abastecer as comunidades ribeirinhas, que continuam isoladas, como mais uma forma de compensação. 
No entanto, conforme denunciou o senador paraense Jader Barbalho (PMDB), Tucuruí ficou de fora da proposta: não contará com a instalação, no leito do reservatório, dos painéis para captação de energia fotovoltaica. Em documento protocolado junto ao Ministério das Minas e Energia e também copiado à Eletrobras, o senador reclamou dessa lacuna no Pará. 
FORÇA DAS ÁGUAS
No entanto, a Eletronorte, empresa da holding Eletrobras, busca uma alternativa inédita no país: a instalação de um parque hidrelétrico hidrocinético fluvial, no turbilhão que resulta da passagem da água que move as turbinas da usina hidrelétrica de Tucuruí. 
Para quem já visitou a região, é fácil imaginar as ondas que movimentam todo o leito do rio Tocantins logo abaixo da caixa de máquinas. É dessas ondas que a Eletronorte pretende gerar energia. O parque hidrocinético será instalado no canal de fuga da hidrelétrica, a jusante da usina, e vai aproveitar a água turbinada para gerar mais energia. A energia hidrocinética é gerada por pequenas turbinas, movidas por pás que se assemelham as das turbinas eólicas, usadas para gerar energia a partir do vento.
 As turbinas serão mergulhadas no canal de fuga e vão gerar energia a partir da corrente de água. Em um primeiro momento, serão instaladas turbinas capazes de gerar 500 quilowatts (kW), entre a margem direita do Rio Tocantins e uma pequena ilha no meio do rio. As águas vertidas ou turbinadas, que correm pelo canal de fuga, por um longo trecho do rio, têm velocidades de 1 a 2,5 metros por segundo e configuram uma área propícia para o aproveitamento hidrocinético. Essas turbinas, que não necessitam do barramento dos rios, podem inclusive operar flutuando.
COMUNIDADES
Será a primeira vez no mundo que a tecnologia de geração de energia hidrocinética será usada em águas fluviais e a intenção é abastecer parte das comunidades ribeirinhas do Pará. A experiência inédita é parte de um acordo de cooperação técnica, assinado entre a Eletronorte e Itaipu, que também integra o sistema Eletrobras.
 O projeto leva o nome de um dos peixes mais famosos da região: Tucunaré. O acordo também inclui o mapeamento do potencial hidrocinético dos rios brasileiros. “Enquanto uma usina eólica gera energia, em média, de 30% a 40% do tempo, as hidrocinéticas geram durante 70%, parando apenas quando há queda acentuada na velocidade do rio”, explica Carmo Gonçalves, gerente de projeto eletromecânico de hidrelétricas da Eletronorte.
(Diário do Pará)