sexta-feira, julho 31, 2015

A revista alemã, FHC diz que Dilma é uma pessoa honrada

No lugar das críticas que tem feito às gestões petistas de Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) baixou o tom em entrevista à revista alemã de economia Capital e disse que a atual presidente da República não está envolvida no escândalo de corrupção na Petrobras, investigado pela operação Lava-Jato. As informações sobre a entrevista foram divulgadas nesta sexta-feira pela agência de notícias alemã Deutsche Welle.

De acordo com a DW, FHC disse na entrevista, publicada em alemão, que Dilma não está envolvida nos desvios da estatal petrolífera, mas que o PT está. Ele lembrou que João Vaccari, ex-tesoureiro da sigla, foi detido na operação.

Eu a considero uma pessoa honrada, e não tenho nenhuma consideração por ódio na política, também não pelo ódio dentro do meu partido, ódio que se volta agora contra o PT — afirmou FHC, creditando a Lula a responsabilidade por todo o escândalo.

Apesar das críticas ao ex-presidente petista, Fernando Henrique ponderou, à publicação internacional, que, para ele seja preso, é preciso que haja algo "muito concreto" e que isso dividiria o País, já que ele é um líder popular. Afirmou ainda que talvez Lula tenha de depor como testemunha, "o que já seria suficientemente desmoralizante".

— Não se deve quebrar esse símbolo (Lula), mesmo que isso fosse vantajoso para o meu próprio partido. É necessário sempre ter em mente o futuro do País — avaliou o ex-presidente tucano na entrevista. FHC chegou até a elogiar o petista. — Ele certamente tem muitos méritos e uma história pessoal emocionante. Um trabalhador humilde que conseguiu ser presidente da sétima maior economia do mundo.

Junto com os elogios, o tucano fez questão de reiterar que Lula, que o sucedeu na Presidência da República, apenas levou adiante a sua política, ao citar que as pessoas viam o petista como uma espécie de Cristo.

— Eles fizeram dele um Deus, mas ele apenas levou adiante a minha política — disse.
 O tom mais equilibrado de FHC se contrapõe às suas recentes declarações rechaçando uma possível aproximação com Lula.