Data e local de nascimento: 9 de novembro de 1949, em Belterra, que hoje é município, mas, naquele tempo pertencia a Santarém.
Nomes dos pais: Pedro Afonso Batista e Maria Auricélia Chagas Batista, ambos vivos, os quais geraram uma prole de oito filhos, dos quais Ambrósio é o mais velho.
Onde viveu a infância, a adolescência e a juventude? Vivi minha infância quase toda na região do Lago Grande do Curuai, para onde a família mudou quando ele tinha apenas um ano de idade. Aos 13 anos eu mudei para Santarém para poder continuar meus estudos onde fiquei até vir para Itaituba. Portanto, a adolescência e a juventude foram vividas em Santarém. A família continuou morando no Lago Grande.
De que sua família vivia no Lago Grande? Da agricultura de subsistência. A pesca era praticada apenas para comer, pois naquele tempo o valor comercial do peixe era muito baixo e quase não tinha para quem vender. Mas, minha ajudava no sustento da casa com o salário de professora.
O que você fez em Santarém, além de estudar? Eu fiz os cinco anos do curso primário no Grupo Escolar Frei Ambrósio. Morava com meus tios, Carmelo e professora Ítala. Nesse tempo, já com 18 anos, eu comecei a fazer cursos de eletrônica por correspondência, mesmo tempo em que aprendia o ofício na prática, pois meu tio era dono de oficina eletrônica. Com 21 anos de idade eu montei minha primeira oficina, a Eletrônica Chagas, na Rua Galdino Veloso, perto da Travessa Senador Lemos, no centro. Fiquei lá por quatro anos. No decorrer desse perído eu casei com a Joanice, minha querida esposa, no ano de 1973. Em Santarém fiz trabalhos de assistência técnica para a Rádio Clube.
Como aconteceu a vinda para Itaituba? Eu recebi uma proposta de Guaracy Pereira, dono da Eletrônica Alex, que ficava localizada na Rua Hugo de Mendonça, numa construção de madeira, perto de onde hoje é a Caixa Ecônomica. Isso foi no ano de 1976. Eu lembro bem que Itaituba só ia até a 8ª Rua da cidade baixa. Depois mudamos para a Praça do Congresso, não no ponto onde estamos hoje. Trabalhei oito anos com o Guaracy, que a certa vez vez perguntou se eu não gostaria de comprar a eletrônica. Eu, junto com o Jônatas, conhecido por Caju, decidimos comprar. Essa sociedade foi até 1980, quando eu assumi o negócio sozinho. Em 1985 eu comprei o ponto onde estou até hoje. Na verdade, naquele tempo a gente comprava somente o terreno, pois as construções eram quase todas de madeira.
De onde vem o nome Eletrônica Alex? Alex era o nome de um filho do Guaracy. Quando eu constituí a minha empresa eu perguntei a ele se podia continua utilizando aquele nome de fantasia e ele disse que sim. Por isso, até hoje é Eletrônica Alex.
Você pegou os bons tempos do garimpo. Deu para ganhar muito dinheiro? Deu sim. Eu ganhei bastante dinheiro para o tipo de trabalho que faço. Procurei aplicar certo, adquirindo bens, porque sabia que aquilo não iria durar para sempre. Mas, aqueles foram tempos difíceis no que tange à violência. Sobretudo nos anos 80. Havia muita violência, mas, houve, também muito exagero nas informações que davam sobre o assunto. Quem não se envolvia em confusões está aí para contar a história. Eu, por exemplo, criei meus quatro filhos maravilhosos que tenho, aqui, estudaram aqui e nenhum deles assimilou aquela violência. Hoje, todos concluíram seus estudos no terceiro grau e só sairam daqui para fazer faculdade em Santarém, porque aqui não tinha. E isso aconteceu com tantas outras famílias, cujos filhos estão formados.
Chegou a ver cenas de violência? Sim, eu vi, assim como ouvi muitas conversas a respeito de pessoas que deveriam ser mortas. Algumas vezes, quando se tratava de gente que eu conhecia, eu conversava para que aquilo parasse por ali. Algumas vezes consegui.
Seu lugar é Itaituba? Com certeza, meu lugar para viver é Itaituba. É uma terra boa, acolhedora. E quanto ao seu trabalho? As coisas mudaram muito. Hoje, muitas vezes é melhor a pessoa comprar um aparelho eletrônico novo, do que mandar consertar. Por isso, eu penso em ficar mais uns cinco anos trabalhando na manutenção de aparelhos eletrônicos, porque é uma coisa que eu gosto de fazer. A vista já está um pouco cansada. Mas, mesmo depois que parar de trabalhar comercialmente na bancada, ainda vou continuar mexendo com alguma coisa, atendendo aos amigos. Mas, sempre aqui por Itaituba. Só espero que nossas autoridades cuidem melhor da nossa cidade, que merece uma melhor atenção.


2 comentários:
Grande Ambrósio, é uma alegria vê-lo disposto e saudável à frente da Eletrõnica Alex, senão, talvez a mais antiga da cidade em atividade.
Parabéns, qualquer dia passo aí para tomar um café e, levar para o conserto meu rádio Mitsubishi de 9 ondas,(novissimo).
Abraços,
Vilson Schuber
Parabéns Jota pela reportagem e pelo Ambrósio por manter a idéia do meu Pai viva até hoje...
Me emocionei muito com a reportagem e em breve irei a Itaituba fazer uma visita a este grande amigo do meu pai...
meu Pai se foi... porém a idéia e a homenagem ao primeiro filho dele ficaram...
Abraços,
Alex Ramos Pereira
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